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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Plano de ensino de Gêneros Literários: Ensino de Redação (Fundamental II)







Plano de ensino de Gêneros Literários
Para o ensino de redação




Séries: 6º ao 9º ano
Nível: Ensino Fundamental II
Nome da professora responsável: Fabiane Mathias Ferreira Senday



I. Ementa



Estudo realizado mediante aos tipos de discurso sob a perspectiva da tradição e, através da nova metodologia proposta por Bernard Schneuwly, ao qual aborda a importância da aprendizagem –na escola – através de textos, pois a comunicação se dá a partir desta prática – produção de textos orais e escritos. Assim, terá o desenvolvimento da competência do aluno para o aprimoramento de seu desempenho nas mais diversas situações de comunicação.



II. Justificativas



É de suma importância o ensino e aprendizagem da língua – para nós a língua portuguesa. Assim, desenvolvemos uma metodologia de ensino nos conceitos de Bernard Schneuwly. O mesmo é professor de didática do ensino de língua na Universidade de Genebra, na Suíça, e vem desenvolvendo uma série de estudos sobre ensino e aprendizagem de língua.
Schneuwly trata, por fim, da fala e dos aspectos psicológicos da aprendizagem (ou seja, da forma como pessoas aprendem) e de seus aspectos ontogenéticos (isto é, o desenvolvimento da capacidade de um indivíduo de adquirir conhecimentos desde a concepção até a idade adulta). Ou seja, o que aprendemos nas trocas com outros indivíduos, nas relações sociais, pode interferir em nosso desenvolvimento.
A reflexão sobre aprendizagem em geral que a questão do desenvolvimento que decorre da aprendizagem x desenvolvimento que ocorre naturalmente se aplica à capacidade de aprender dos indivíduos em qualquer disciplina. Em relação à aprendizagem da escrita, as questões são:
O que se aprende socialmente interfere no desenvolvimento cognitivo.
Aprender gêneros textuais - que é o modo como usamos a língua, nas situações de comunicação no dia-a-dia - amplia nossas capacidades de linguagem.



Com isso, percebemos que, através da leitura do quadro, é possível deduzir que é tão importante ensinar as tipologias quanto os gêneros. As tipologias são capacidades de linguagem usadas em diferentes gêneros.
Podemos, de tal forma, citar as cinco tipologias que é preciso considerar no ensino de língua. Cada uma dessas tipologias é mobilizada pelas pessoas que se comunicam em diferentes gêneros, mas cada gênero exige um maior ou menor domínio de cada uma delas.
Narrar: capacidade de imaginar histórias de ficção e contá-las. Esta capacidade é usada principalmente na criação de contos, fábulas, romances etc.
Relatar: capacidade de descrever acontecimentos vividos pelo autor ou por outro. Esta capacidade é usada predominantemente na escrita de notícias, relatos de viagem, relatos de experiência vivida, diários íntimos etc.
Argumentar: capacidade tomar posição diante de um acontecimento e sustentar sua posição, refutar a posição de outros, negociar com oponentes. Esta capacidade é usada principalmente em debates orais, artigos de opinião, cartas de leitor etc.
Expor: capacidade de registrar e demonstrar conhecimentos, saberes, obtidos por meio de estudos e pesquisas. Esta capacidade é usada, predominantemente, em conferências, artigos científicos, verbetes de enciclopédia, seminários etc.
Descrever ações: capacidade de dar instruções e fazer prescrições. Esta capacidade é usada predominantemente em receitas culinárias, regulamentos, regras de jogo, receitas médicas etc.
É importante considerar que usamos todas essas capacidades em gêneros diversos. Por exemplo, num conto, usamos predominantemente a capacidade de narrar, mas podemos colocar personagens discutindo um assunto, e então aparecerá a capacidade de argumentar.
Em suma, tais capacidades são mobilizadas nos gêneros textuais que circulam socialmente que, por isso, são ótimos instrumentos para ensinar e aprender língua. Quanto mais gêneros são apropriados, mais capacidades de usar a língua.
Para esclarecer como os gêneros são instrumentos privilegiados para a aprendizagem, Schneuwly considera que toda a aprendizagem se dá não individualmente, mas nas interações sociais. No caso, refere-se principalmente à aprendizagem de língua (e dos gêneros, evidentemente). O autor considera que língua só existe na interação; assim, na comunicação entre pessoas.
Conclui-se que, os gêneros de discurso são objetos que usamos para nos comunicar, instrumentos de comunicação socialmente. Contudo, é próprio da espécie humana desenvolver-se cada vez mais à medida que cria novos instrumentos. Como os gêneros textuais são considerados instrumentos (de comunicação) estão nesse caso. É preciso que a criança se aproprie socialmente dos gêneros primários e, em seguida, dos gêneros secundários. É nessa apropriação que suas capacidades de linguagem se desenvolvem plenamente.



III. Objetivos Educacionais



Nosso objetivo educacional é o aluno. Por conseguinte, nossa principal função, como educadores, é que haja uma aprendizagem efetiva e duradoura. Para isso, é preciso que existam propósitos definidos e auto atividade reflexiva dos mesmos.
De tal forma, a autêntica aprendizagem ocorre quando o aluno está interessado e se mostra empenhado em aprender, isto é, quando está motivado. É a motivação interior deste que o impulsiona e vitaliza o ato de estudar e aprender. Eis, para nós, a importância do ensino-aprendizagem:



1. Aprimorar o desempenho do aluno na produção textual oral e escrita, adequadas ao ensino fundamental II.
2. Apontar a eficiência da metodologia de Bernard Schneuwly, aprimorando a competência do aluno para um melhor desempenho textual oral e escrito, tanto na vida como na escola.
3. Diferenciação de Narrativas e outros gêneros literários.



IV. Capacidades a serem adquiridas



Tais capacidades a serem adquiridas são as habilidades do estudo dos gêneros propostos, aos quais desenvolve, no aluno, a verbalização parcial do processo de escrita. Com isso, deve-se ensinar a ler e escrever. Assim, quebrar barreiras que sempre dificultou o aluno ao escrever – o medo. Com tal metodologia, mostraremos o quão divertido é a arte da escrita e como a mesma está ao nosso redor, o tempo inteiro.



V. Conteúdos Curriculares



1º Item: Conceito de texto e tipologias textuais segundo a tradição no ensino de Língua Portuguesa.



2º Item: Definição de alguns gêneros textuais. A metodologia proposta por Bernard Schneuwly.



3º Item: Os gêneros do discurso. Os tipos do discurso.



4º Item: Sequências textuais. O que difere um gênero textual de outra sequência textual.



5º Item: Estudo de Conto e Crônica: Leitura e análise textual de um conto e uma crônica. Estudo de Novela e Romance: Breve leitura de fragmentos de obras e análise textual dos mesmos. Estudo de outros gêneros textuais diversos, como por exemplo: receitas; textos publicitários; cartas; convites; entre outros trabalhos envolvendo a aprendizagem de gênero textual.
Os quadros abaixo apontam alguns dos tipos trabalhados e outro que ainda iremos trabalhar:



Quadro 1



CAPACIDADES DE LINGUAGEM
GÊNEROS DISCURSIVOS/TEXTUAIS

ARGUMENTAR
Carta de reclamação/ Carta de solicitação
Editorial
Textos de opinião/ Texto expositivo etc.

EXPOR
Artigo enciclopédico
Comunicação oral
Exposição oral
Resumo de texto expositivo ou explicativo
Diário íntimo
Notícia
Relato de experiência

NARRAR
Ficção científica
Novela
Romance
Epopeia
Biografia
Autobiografia
Lenda
Fábula
Contos de fada

DESCREVER/PRESCREVER AÇÕES
ou INSTRUIR
Regras de jogo
Receita
Regulamento
Manual de instrução

Quadro 2


DISCURSOS

(FORMAÇÕES DISCURSIVAS/ DOMÍNIO DISCURSIVO)
GÊNEROS DO DISCURSO/GÊNEROS TEXTUAIS


JORNALÍSTICO
Notícia
Reportagem
Editorial
Crônica
Tirinha
Entrevista




LITERÁRIO
Conto/ Crônica
Romance/ Novela
Poema
Tragédia/ Comédia
Diário
Fábula/ Lenda
Epopeia
Biografia/ Autobiografia

ELETRÔNICO/DIGITAL
Chat/bate papo virtual
E-mail/endereço eletrônico
Blog
Banner

PUBLICITÁRIO
Anúncio
Cartaz
Panfleto

COTIDIANO
Conversação e seus tipos
Bilhete
Diário
Convite



6º Item: Produção, pelos alunos, de um livro – adequação de um conto de fadas aos dias atuais.



VI. Metodologia



O trabalho fora realizado através de aulas onde o aluno pode por em prática – através de trabalhos – o que aprendera teoricamente.
As primeiras aulas foram de suma importância para a apresentação de nossa disciplina e como seria realizado tal trabalhar. Assim, foram seguidos os passos acima citados no Conteúdo Curricular. Apresentamos um texto teórico sobre Técnicas de Redação segundo a Tradição – narração, descrição e dissertação. Como de costume, ao final de cada aula dada, atividades foram realizadas a fim de fixar o aprendido. Atividades como: Responda a que tipo textual – segundo a tradição – os textos abaixo se referem: texto narrativo, dissertativo ou descritivo. Três textos de diferente tipo textual foram entregues a eles para que pudessem descrever, segundo a tradição, o pedido pelo exercício.
As aulas seguintes foram lhes apresentado de forma lenta a metodologia segundo a perspectiva de Bernard Schneuwly. A principio os alunos estranharam, pois, coisas do dia-a-dia eram tidos como gêneros textuais. Tal estranhamento foi positivo e o trabalho começou a fluir de uma forma surpreendente.
Adotamos o uso de uma pasta para anexarmos todos os trabalhos realizados, tanto em aula como em sala. Criamos receitas maravilhosas; textos publicitários; cartas; convites; entre outros trabalhos envolvendo a aprendizagem de gênero textual. Por fim, está em andamento, um trabalho sobre a adequação, aos dias atuais, de um conto de fadas da escolha do aluno; o texto deverá ser montado com o propósito de se parecer com um livro. Tal trabalho será entregue em dupla e ficará exposto na biblioteca do colégio para que alunos de outras turmas possam ter contato com tais obras e se interessarem em, também, escreverem seus próprios livros.
O último grande projeto deste ano é realizar um blog de onde todos os alunos poderão postar seus textos e, assim, seus amigos da escola terão acesso aos trabalhos realizados e darão opinião. Tais iniciativas foram aceitas com grande entusiasmo por parte dos alunos, sendo, assim, fácil trabalhar tal gênero textual e quebrando uma grande barreira entre os alunos e o ato da escrita. Não sendo mais visto o mesmo como castigo, mas sim, como um ato prazeroso e edificante.



Estratégias de Trabalho:



1. Aulas expositivas;



2. Aulas práticas de leitura e de elaboração de textos sob a perspectiva de Bernard Schneuwly, assim o aluno aprenderá a diferenciação de conto das demais sequências textuais.



3. Produção individual de um conto, realizado pelo aluno;



VII. Critérios e Instrumentos de Avaliação:



Entendemos, por avaliação que: como ato dinâmico que qualifica e oferece subsídios ao plano de aula, além de imprimir uma direção às ações dos educadores e dos educando.
Contudo, podemos dizer que a avaliação não pode ser um instrumento de exclusão dos alunos, mas sim favorecer o desenvolvimento da capacidade do aluno de apropriar-se dos conhecimentos científicos, sociais e tecnológicos produzidos historicamente e deve ser resultante de um processo coletivo de avaliação diagnóstica.
Devemos acompanhar as atividades e avaliá-las – tal procedimento nos levará à reflexão. Concluímos que a avaliação – parte da necessidade de se conhecer a realidade escolar – busca explicar e compreender criticamente as causas da existência dos problemas, bem como suas relações e suas mudanças, se assim nos esforçarmos para propor ações alternativas.
Dividimos da seguinte maneira:



1. Avaliação contínua, em que todos os exercícios realizados em aula, além da participação do aluno em classe, perfaçam um total de zero a dez pontos;
2. Realização individual de um conto no valor de zero a dez pontos.



VIII. Bibliografia:



BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
GANCHO, Cândida Vilares. Como Analisar Narrativas. 9ª. Edição. São Paulo: Série Princípios. Ática, 2006.



GOTLIB, Nádia Battella. Teoria do Conto. 11ª. Edição. São Paulo: Série Princípios. Ática, 2006.
KOCH, Ingedore Villaça & ELIAS, Vanda Maria. Ler e Escreve: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.



SCHNEUWLY, Bernard, DOLZ, Joaquim e colaboradores. Gêneros orais e escritos na escola. Trad. E Org. Roxane Rojo e Glaís Sales. Campinas: Mercado das Letras, 2004.

Literatura na escola - 6º ano - Contos de Carlos Drummond de Andrade




Prática pedagógica: Leitura
Sequência Didática: Ensino Fundamental II



Objetivos: 

Estimular o gosto pela leitura; desenvolver a competência leitora;
desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico;
inferir as características do gênero conto e o contexto histórico e literário do livro;
estabelecer relações entre o lido \ vivido ou conhecido (conhecimento de mundo); conhecer alguns elementos básicos da narrativa; perceber alguns efeitos estéticos da obra literária, principalmente aqueles que geram humor.

Conteúdos: 

Elementos da narrativa: narrador, enredo, personagens, tempo, espaço e tipos de discurso; verossimilhança na narrativa de ficção; quebra de expectativa com efeito de humor.

Tempo estimado:

Cinco aulas.

Material Necessário:

Livro Rick e a Girafa, Carlos Drummond de Andrade, Editora Ática.


Desenvolvimento

1ª etapa: Antecipação/Sensibilização

Pergunte aos alunos se eles já ouviram falar do escritor Carlos Drummond de Andrade. Peça que pesquisem, em casa, a biografia do autor.
Após a leitura da biografia, converse com os alunos sobre o fascínio que o autor tinha pelas palavras, desde sua infância.

2ª etapa: Leitura compartilhada do 1º conto

Apresente à turma o livro Rick e a Girafa, antologia com 27 contos de Drummond. Peça que os alunos leiam um conto por dia em casa. São histórias pequenas e fáceis de ler.
Em seguida, proponha a leitura em sala de aula da narrativa "Pescadores". Quando os alunos terminarem, faça algumas perguntas e peça que registrem as respostas no caderno:

- Por qual motivo essa narrativa faz parte do capítulo "Confusões e surpresas”? Discuta com a sala se há confusões e surpresas no conto.
- Por qual motivo a narrativa se torna engraçada?
Analise com a sala como as quebras de expectativa geram humor no conto.

3ª etapa: Análise do conto - tipos de discurso

Mostre à turma, por meio da narrativa “Pescadores”, o que é discurso direto. Analise como a estratégia desse tipo de discurso ajuda a dar vivacidade à cena, aproximando o leitor dos fatos narrados. Aproveite para explicar aos alunos que uso de travessões marca a fala dos personagens. Com isso, ainda que não apareçam verbos de dizer (elocução), o leitor consegue distinguir quem está falando.

4ª etapa: Análise do conto - foco narrativo

Pergunte aos alunos quem está contando a história. Certamente, alguns responderão que é o escritor Carlos Drummond de Andrade. Explique a eles que o autor é decisivo só no momento da escritura. Depois de a obra estar pronta, ela fala por si só. O escritor apenas imagina a história, as personagens, o cenário e cria alguém responsável pelo ato de narrar.
Explique à turma que o narrador é, assim como tudo na narrativa, um ser de papel, inventado, ficcional. Mostre aos alunos que as narrativas podem ser contadas tanto por um alguém que participa da história (narrador-personagem), quanto por alguém de fora (narrador em 3ª pessoa). Lance a seguinte questão: Quem conta a história “Pescadores”? Peça que a classe retire do texto fragmentos que comprovem a resposta.

5ª etapa: Análise do conto – verossimilhança

Lance as seguintes questões à moçada:

- Os fatos narrados aconteceram na vida real?
- Você diria que as personagens dão a impressão de existirem verdadeiramente?
- A casa de um dos pescadores existe de verdade? E a família?
Ouça as repostas dos alunos e comente sobre a narrativa de ficção, mostrando que ela é verossímil, ou seja, assemelha-se à realidade, mas é inventada.
Terminada a análise do primeiro conto, solicite que os alunos leiam outros contos. Podem ser elaboradas atividades semelhantes às descritas acima.

Avaliação: 

Peça que os alunos leiam três contos determinados por você. Em uma aula, individualmente e com consulta ao livro, entregue questões que contemplem os elementos trabalhados anteriormente – tipos de discurso, narrador, efeito humorístico e verossimilhança – e peça que os alunos respondam por escrito


Bibliografia:

Site de Pesquisa: http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/literatura-escola-6o-ano

Morfologia






Morfologia

As classes gramaticais

Como aprenderemos a seguir, as classes gramaticais são divididas em dez, sendo elas: substantivo; adjetivo (locução adjetiva); verbo (locução verbal); advérbio (locução adverbial); interjeição; artigo; numeral; pronome; preposição; conjunção.

Substantivo

Palavra variável que nomeia os seres em geral. Ele é subdividido por: comum (nomeia o ser genericamente, como pertencente a uma determinada classe), próprio (nomeia o ser particularmente, dentro de uma espécie; são grafados com letra maiúscula), concreto (nomeia o existente, seja ele animado – homem, ou inanimado – casa), abstrato (nomeia ação – beijo, estado – vida, qualidade – beleza, sensação – calor, ou sentimento – amor), primitivo (é o que está encabeçando uma série de palavras de mesma família etimológica; não se origina de nenhum outro nome), derivado (origina-se de um primitivo), simples (apresenta apenas um radical), composto (apresenta mais de um radical) e coletivo (embora na forma singular, expressa uma pluralidade).

Análise Morfológica das palavras

Para analisarmos uma palavra, morfologicamente, precisamos, primeiramente, saber dividi-las em:


Adjetivo

É a palavra variável que se deixa anteceder por TÃO (ou muito e/ou aceitar o sufixo – MENTE). Também é considerado modificador de substantivo. Exemplos:

Imensas noites de verão
com frias montanhas mudas,
e o mar negro, mais eterno,
mais terrível, mais profundo
(Cecília Meireles)

Locução Adjetiva: é a soma de “preposição mais substantivo” (com valor e emprego de adjetivo). Exemplo:

Verbo

Palavra variável (em número, pessoa, modo e tempo). Articula-se aos pronomes retos e substantivos. É dividida em três modos: Indicativo (fato provável); Subjuntivo (fato improvável); Indicativo (pedido, ordem ou desejo). Há três conjugações: 1º conjugação –ar (amar); 2º conjugação –er (vender); 3º conjugação –ir (partir). Quanto ao número e pessoa temos: singular (eu, tu, ele, ela); plural (nós, vós, eles, elas). Os tempos verbais também são três: presente; pretérito; futuro.


Advérbio

Palavra invariável, ao qual se articula com o verbo, adjetivo e outro advérbio. Deixa-se anteceder a um verbo, mas também a um adjetivo, ou a outro advérbio. Também, é considerado modificador, e intensificador, de um verbo, adjetivo, de um próprio advérbio, ou até mesmo, de toda a oração. Exemplos:

Ela canta bem (verbo)
Ela canta muito bem (advérbio)
Ela é muito bonita (adjetivo)
Realmente ela chegou. (oração)

Locução Adverbial: o advérbio também pode ser formado por mais de um vocábulo – é a locução adverbial; normalmente é expressa de uma preposição + substantivo, com o valor e emprego de advérbio (sem jeito, sem temor, sem silêncio, com carinho, etc.).

Classificação dos Advérbios

De Tempo: agora, hoje, amanhã, depois, já. Ontem, sempre, nunca, jamais, antes, cedo, tarde, brevemente, raramente, etc.

De Lugar: abaixo, acima, acolá, cá, lá, aqui, ali, além, aquém, atrás, dentro, perto, perto, longe, etc.

De Intensidade: muito, mui, pouco, bastante, mais, menos, tão, demasiado, meio, completamente, demais, excessivamente, etc.
De Modo: bem, mal, assim, depressa, como, melhor, pior, calmamente, apressadamente, loucamente, etc.

De Afirmação: sim, certamente, deveras, realmente, efetivamente, etc.

De Negação: Não.

De Dúvida: talvez, provavelmente, quiçá, etc.
Interrogativo: onde, quando, como, por que (nas interrogativas direta ou indireta)

Interjeição

É a palavra que exprime nossos estados emotivos. “É uma verdadeira palavra-frase, pela qual o sujeito falante, impregnado de emoção, procura exprimir seu estado psíquico, num movimento súbito, em vez de se expressar por uma frase logicamente organizada”.

Exemplos:

Admiração: ah! ah!
Exaltação: viva!
Alívio: ah! eh!
Coragem: coragem! eia!
Bravo: aplauso
Dor: ai!
Repetição: bis!
Silêncio: psiu! calado!
Advertência: cuidado! atenção!
Desejo: tomara! oxalá!
Desejo: perdão!
Saudação: adeus!

Artigo

É a palavra que antecede os substantivos, designando-os de forma determinada (a, as, o, os) ou indeterminada (uma, umas, um, uns). Exemplos:

Chamei um médio (indefinido)
Chamei o médio. (definido)

Numeral

É a palavra que exprime quantidade, ordem, fração e multiplicação, em relação ao substantivo. (cardinais – um, dois, etc.; ordinais – primeiro, segundo, etc.; fracionário – um quinto, dois terços, etc., multiplicativos - dobro, triplo, etc.).

Pronome

É a palavra que designa os seres ou a eles se refere, indicando-os apenas como pessoa do discurso.

Veja o quadro explicativo:

Pronomes Pessoais Reto Pronomes Pessoais Oblíquo

eu- emissor me, mim, comigo
tu - receptor te, ti, contigo
ele ou ela - referente o, a, lhe, se, si, consigo
nós - emissores nos, conosco
vós - receptores vos - convosco
eles ou elas - referentes os, as, lhes, se, si, consigo


Além dos casos citados à cima, temos os pronomes de tratamento. Exemplo:

Você: tratamento familiar
Senhor (a): tratamento cerimonioso
Vossa alteza: príncipes, duques.
Vossa Eminência: cardeais
Vossa Excelência: altas autoridades
Vossa Magnificência: reitores de universidades
Vossa Majestade: reis
Vossa Imperial: imperadores
Vossa Santidade: papas
Vossa Senhoria: tratamento geral cerimonioso
Vossa Reverendíssima: sacerdotes
Vossa Excelência Reverendíssima: bispos e arcebispos

Possessivos


Indicam posição.

1º pessoa: este(s), esta(s), isto.
2º pessoa: esse(s), essa(s), isso.
3º pessoa: aquele(s), aquela(s), aquilo.

São Considerados demonstrativos, também: o(s), a(s), mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s), tal, tais, semelhante(s).

Relativo

Os pronomes relativos:

  • retomam uma palavra já expressa antes;
  • ligam orações.

Em português, são relativos os pronomes que, o qual (e variações), quem, cujo (e variações), onde (advérbio relativo com o sentido do em que), quanto. Exemplos:

Os dias que passam não voltam.
Não vi o colega a quem prometi o livro.
Os tiranos, a cujo poder o povo se submetia, eram temidos e odiados.
Visitei a casa onde nasci.
Farei tudo quanto você pedir.


Indefinidos

Referem-se, de modo vago, à 3ª pessoa: São eles: todo(s), toda(s), tudo, algum(uns), alguma(s),alguém, algo, nenhum(uns), nenhuma(s), ninguém, nada, outro(s), outra(s), outrem, muito(s), muita(s), pouco(s), pouca(s), mais, menos, bastante(s), certo(s), certa(s), cada, qualquer, quaisquer, tanto(s), tanta(s),os demais, as demais, vários, várias, um(uns), uma(s), que, quem. Locuções: cada qual, cada um, quem quer que seja, seja quem for, etc.

Exemplos:

Alguém falava de flores.
Mais amor e menos confiança.
Havia bastantes pessoas na festa.
Cada um é cada um.
Quantas lágrimas verteu por ele!

Interrogativo

São pronomes interrogativos em frase interrogativa direta ou indireta: quem, quê, o quê, que, qual, quais, quanto(a)(s).

Exemplos:

Quem disse isso?
Ignoro quem disse isso.
Quantas pessoas entraram?
Quero saber quantas pessoas entraram.

Preposição

É a palavra que serve de subordinação entre palavras e orações. Vem antes da palavra por ela subordinada a outra, daí a origem de seu nome: “posição antes”. Exemplos:

A casa de Pedro é grande.

As preposições podem ser:

  • essenciais: a, ante, até, após, atrás, com, contra, de, desde, em, entre para, por perante, sem, sob, sobre;
  • acidentais: como, conforme, consoante, durante, exceto, feito, mediante, segundo, etc.

Locuções Prepositiva: geralmente formada de advérbio + preposição, com valor e emprego de preposição: abaixo de, acima de, atrás de, através de, antes de, depois de, a par de, de acordo com, em face de, depois de, devido a, para com, a fim de, por trás de, etc.

Combinação e Contração

As preposições a, de, per, em podem unir-se com outras palavras. Exemplos:

  • combinação: sem alteração fônica. São eles: ao (a + o), aonde (a + onde);
  • contração: com alteração fônica. São eles: à (a + a), no (em + o), na (em + a), do (de + o), naquele (em + aquele), aquela (em + aquela), pelo (per + o).

Conjunção

É o conectivo de coordenação entre palavras e orações e o conectivo de subordinação entre orações.

Exemplos:

João e Maria saíram.
Pedro entrou, mas Maria saiu.
Todos viram que Maria saiu.

As locuções com valor e emprego de conjunção (para que, a fim de que, à proporção que, logo que, depois que) são chamadas de locuções conjuntivas. Estas são classificadas em coordenativas e subordinativas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ortografia: MAIS/MAS



MAIS (ADVÉRBIO)

Mais é um advérbio que dá ideia de intensidade. Pode-se trocar por menos.

Você é mais curioso do que eu.
Você é menos curioso do que eu.

MAS (CONJUNÇÃO)

Mas é uma conjunção que, ao iniciar uma oração, introduz uma ideia contrária ao que foi dito anteriormente. Pode ser substituído por porém, entretanto, todavia, contudo:

Chorei, mas estava alegre.
Chorei, porém estava alegre.

Atividade

Complete com mas ou mais:

a) Para ela, ler um conto é __________ interessante do que assistir a um filme.
b) Compre o que desejar, __________ não gaste todo o dinheiro.
c) Era autoritária, ___________ respeitava as opiniões alheias.
d) Chegue _______ cedo amanhã.
e) Estudamos ________ do que nunca, _______ ainda não conseguimos assimilar todas as informações.

Ortografia: Há/a



HÁ (verbo haver)

Emprega-se quando indica tempo passado, ou quando tem o sentido de existir.

Há dez anos que eu não o vejo.
Há muitos livros sobre a mesa.

A (preposição)

Emprega-se quando indica tempo futuro ou quando indica medida, distância:

Partiremos daqui a três dias.
O córrego fica a dois quilômetros daqui.

Ortografia: ONDE/AONDE



ONDE: emprega-se quando significa em que lugar, com verbos que não indique movimento:

Não sei onde está a chave.

AONDE: emprega-se com verbos de movimento ou que indiquem direção:

Queres chegar aonde?
Vais aonde?

Atividade


Complete com onde ou aonde:

a) _________ela foi, meu Deus?
b) Amiga, __________ você mora?
c) ___________ fica a Avenida Paulista?
d) ___________ você estuda?
e) ___________ foi e para _________ vai agora?

Ortografia: O uso do "porque".




O uso do “porque”
Por que (separado e sem acento)

Nas frases interrogativas e, também, quando se puder subentender as palavras motivo e razão:
Por que não devo ir?
Não sei por que estou aqui.

Quando puder ser substituído por pelo qual e flexões:
Esse é o motivo por que não lhe escrevi.

Porque (junto e sem acento)

Quando for conjunção explicativa ou causal:
Não vá, porque é perigoso.
Não fiz a prova porque estava doente.

Por quê (separado e com acento)

No final das frases interrogativas ou precedido por pontuação:
Você não vai por quê?
Ninguém sabe dizer por quê.

Porquê (junto e com acento)

Quando está substantivado (precedido de artigo)
Não sei o porquê de sua chateação.
Estudamos o uso do porquê.
Da sua tristeza, ninguém sabe o porquê.

Atividade

Complete com porque, por que, por quê ou porquê:

a)_________ela fez isso?
b)__________ você não foi à festa?
c)O ___________ de minha tristeza é a saudade da minha amiga!
d)Você nunca estuda? ____________?
e)Não vá ___________ é perigoso!

Ortografia: Mal/Mau



MAL (ADVÉRBIO)

Usa-se quando se opõe a bem:

Ele está mal de vida.
Nosso time jogou mal.

MAU (ADJETIVO)

Usa-se quando se opões a bom.

Este é um mau negócio.
Ele é um mau perdedor.

Atividade


Complete com mal ou mau:

a) Para ela, aquele menino é muito __________.
b) Amiga, __________ posso esperar pelo meu aniversário.
c) Era autoritária, ___________ criada e desobediente.
d) Ele só fazia o _______, pois era __________.
e) Estudamos tão________, por isso fomos péssimos na prova.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Fonologia




1. Definição

Fonologia, palavra que reúne dois radicais gregos significando “som” e “estudo”, significa, portanto, “estudo do som”. É a parte da gramática que se ocupa não de qualquer tipo de som, mas do som como elemento distintivo na língua, do som como fonema.
Fonema é o som de valor opositivo no sistema coletivo da língua, de caráter regular e fixo, e por isso mesmo sistemático (método organizado). Para entender como o fonema é um som que funciona como uma unidade distintiva, compare, por exemplo, o par casa/cara; os fonemas s/r estão em oposição, em contraste (oposição entre duas coisas, das quais uma faz sobressair a outra), e constituem o elemento sonoro que está distinguindo uma palavra da outra. O mesmo se pode dizer dos sons c/p no par cara/para, e assim com todas as palavras da língua. Dessa forma, economicamente, com um número estrito de sons, cada língua cria um universo vastíssimo de palavras. Os fonemas, em seu conjunto, formam o sistema fônico da língua –são os seus sons distintivos elementares.

Não confunda som e letra! Com o alfabeto, representamos convencionalmente os sons da língua, mas essa representação não se faz de forma mecânica: um mesmo som pode, por exemplo, pode ser representado por letras diferentes: achar –mexer; ou sons diferentes podem ser representados pela mesma letra: casa –sapo. O alfabeto que usamos para grafar o português tem vinte e três letras, mas a língua portuguesa tem mais do que vinte e três sons distintivos, ou fonemas!


2. Produção e classificação dos fonemas

Os fonemas são produzidos por meio do aparelho fonador, conjunto de órgãos humanos que nos permitem falar. É composto fundamentalmente:

  • dos pulmões, que, como foles, emitem a corrente de ar;
  • das cordas vocais, que existem na laringe, de cada lado da abertura da glote, e produzem a sonorização da corrente de ar;
  • dos seguintes órgãos, que, articulando-se, podem imprimir as mais diversas modificações na mesma corrente de ar: os lábios, os dentes com os alvéolos, a língua (com ápice –que é o ponto mais alto ou extremo da língua-, dorso –parte de trás- e raiz), o palato duro e o véu palatino com a úvula, o qual, quando está abaixado, permite comunicação com as fossas nasais.

3. Fonemas surdos e sonoros

Se a corrente de ar emitida para produzir um fonema encontra a glote cerrada ou semicerrada, força através dela a passagem e faz vibrar as cordas vocais: o fonema então produzido é sonoro; se, ao contrário, a glote estiver suficiente aberta, e, portanto, livre à passagem, não vibram as cordas vocais, e o fonema assim produzido se diz surdo.

Exemplos:

O /s/ é surdo (selo), o /z/ sonoro (zelo).
O /f/ é surdo (faca), o /v/ sonoro (vaca).
4. Fonemas orais e nasais

Quando a corrente de ar que produz o som chega ao fundo da boca, na faringe, pode seguir dois caminhos:

  • através da boca.
  • através das fossas nasais. Se o véu palatino se achar levantado, impedirá que o ar escape para as fossas nasais, ressoando somente na boca; o fonema produzido será, então, oral (/a, e, i, o, u/; /p, b, s, z/); se, porém. O véu estiver abaixado, parte do ar sairá pela boca, parte penetrará nas fossas nasais, o que produzirá uma ressonância característica –a nasalidade –e o fonema será, então, nasal (/ ã, ẽ, ΐ, õ, ữ/ ; / m, n, nh/).

5. Vogais

São fonemas sonoros livres. Em sua produção as cordas vocais vibram (sonoros) e a corrente de ar não encontra nenhum obstáculo sensível até o exterior (livres).

Segundo a NGB, podemos classificar as vogais por quatro pontos de observação:

quanto à zona de articulação (onde);
quanto ao papel das cavidades bucal e nasal;
quanto à elevação da língua;
quanto ao timbre (vibração do som).


6. Explicação do quadro das vogais

Se, com a boca ligeiramente aberta, levantando o véu palatino (o que impede a passagem da corrente de ar para as fossas nasais), e a língua baixa, quase em repouso, contrairmos as cordas vocais que começam a vibrar, produziremos a vogal oral fundamental /a/, média quanto à zona de articulação, baixa quanto à elevação da língua.
Se formos elevando gradualmente a metade dianteira da língua em direção à parte anterior do palato, /a/ irá se transformar progressivamente em /é/, /ê/ e, na elevação máxima da línguas, em /i/: são as vogais anteriores; quanto à elevação à elevação da língua, /é/ (aberto) e /ê/ (fechado) são mediais; /i/ é alta.
Se, ao contrário, elevarmos a metade posterior da língua em direção ao véu, arredondando ao mesmo tempo os lábios, emitiremos as vogais /ó/, /ô/, /u/, denominadas posteriores: quanto à elevação da língua, /ó/ (aberto) e /ô/ fechado) são mediais; /u/ é alta.

Vogais nasais
Permanecendo abaixo do véu palatino (o que permite que a corrente de ar vá ressoar também nas formas nasais), as vogais são nasais (e em português não podem ser abertas): /ã/ é média, /ẽ/ e /ΐ/ são anteriores, /ỡ/ e /ữ/ são posteriores; quanto à elevação da língua, /ẽ/ e /õ/ são mediais, /ΐ/ e /ữ/ são altas.

Vogais tônicas, subtônicas e átonas; abertas, reduzidas

A vogal em que inicia o “acento tônico” (maior intensidade de enunciação) chama-se tônica; são átonas as vogais inacentuadas.
Em alguns vocábulos, principalmente se forem palavras derivadas, pode aparecer uma vogal de tonicidade secundária (eternamente, pozinho).
Somente nas vogais tônicas ou subtônicas é mais claro a distinção do “timbre” das vogais, que podem ser abertas ou fechadas; as átonas, às vezes, podem ter a diferenciação pelo timbre reduzido, e até anulada, chamando-se, neste caso, reduzidas. É tal a redução das vogais átonas finais, que desaparece a distinção entre e e i, o e u.

  • Sílaba –Semivogal –ditongos e tritongos
  • Sílaba é o fonema ou grupo de fonemas emitidos numa só expiração.

A base de toda a sílaba é sempre uma vogal.
Nunca pode faltar vogal em uma sílaba.
Nunca há mais de uma vogal em uma sílaba.



Mas... E o “ditongo”? Não é o encontro de duas vogais numa só sílaba?
Não...
Vejo, por exemplo, na palavra /pai/ = a uma só sílaba.
Qual é a base dessa sílaba, isto é, a vogal que se destaca? É o /a/. então o /a/ é a vogal.
E o outro som vocálico será também uma vogal?
Não...
Aquele outro som vocálico /i/, perceba, não é tão forte quanto o outro: é a semivogal.
Nessa palavra, pela ordem, aparece a vogal /a/ (som vocálico forte) e depois a semivogal /i/ (som vocálico fraco); portanto, o som decresceu.
A este encontro vocálico (vogal + semivogal) se dá o nome de ditongo decrescente. Se ocorrer o contrário (semivogal + vogal), com em his-tó-ria, sé-rie, será ditongo crescente. Se a vogal base da sílaba, for oral, o ditongo, então, também será oral; se a vogal for nasal, nasal também será o ditongo.

Exemplos:
Pai: ditongo decrescente oral
Pão: ditongo decrescente nasal

Se a vogal é ao mesmo tempo precedida e seguida de semivogal, há tritongo: i-guais (semivogal + vogal + semivogal).

Nota

Muito cuidado deverá tomar o aluno na análise fonológica de algum vocábulo. Em muitos casos aparecera ditongos que, graficamente, não se percebe ou, contrariamente, que é perceptível na grafia, mas reduzido na pronúncia.

Exemplos

Na segunda sílaba de também /tãbei/, aparece um ditongo decrescente nasal (/bei/). Veja que o som da consoante /m/ não existe; esta representa graficamente a semivogal /i/.
O contrário acontece, por exemplo, no encontro reduzido a /ô/ na pronúncia normal do Brasil: couve /côve/.

Hiato

Quando a sílaba terminada por vogal ou semivogal segue-se outra iniciada por um desses fonemas, a enunciação sucessiva de ambas produz um efeito acústico característico – o hiato.

Exemplos

Pi-a-da; qui-e-to; ru-í-do;co-or-de-na-ção.

7. Classificação das consoantes

Consoantes são fonemas para cuja produção a corrente de ar, ao contrário do que acontece com as vogais, encontra em algum órgão fonador embaraço decisivo à sua passagem. Note que esses fonemas são podem sozinhos ou apenas entre si formar sílabas em português, daí serem, denominados consoantes, ou seja, etimologicamente são fonemas “que soam juntos” (COM AS VOGAIS). Uma vogal pode sozinha construir uma sílaba: uma consoante, não.

I. Quanto ao modo de articulação, a NGB classifica as consoantes em:

Oclusivas: (junção completa de dois órgãos): /p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/.
Constritivas (de emissão prolongável):
• Fricativas (fricção) : /s/, /z/, /x/, /j/, /f/, /v/.
• Laterais: (o ar escapa pelos bordos da língua): /l/, /lh/.
• Vibrantes: (uma ou várias vibrações): /r/, /rr/.

II. Quanto ao ponto de articulação, a NGB classifica assim:

Bilabiais (lábio contra lábio): /p/. /b/, /m/.
Labiodentais (lábio inferior + arcada dentária superior): /f/, /v/.
Linguodentais (língua + arcada dental superior): /t/, /d/, /n/.
Alveolares (língua + alvéolos): /s/, /z/, /l/, /r/.
Palatais (dorso da língua + palato): /x/, /j/, /lh/, /nh/.
Velares (raiz da língua + véu): /k/, /g/, /rr/.

8. Encontros consonantais

Tal como as vogais, as consoantes também podem encontrar-se agrupadas nos vocábulos.
Desses encontrados, distinguem-se:

1. os fonadores de consoantes + /l/ ou /r/, que constituem grupos reis, inseparáveis: pl; bl; br; tl; dr; cl; cr; gl; fl; fr; vr.

2. aqueles em que o 2º elemento não é /l/ nem /r/, que são disjuntos, isto é, separáveis: bd; ct; ft; tm; bs; dv; pt etc., em que cada consoante pertence a uma sílaba: rit-mo; ap-to etc.


9. Dígrafos

Não se deve confundir dígrafos com encontro consonantais. Dígrafo é o emprego de duas letras para a representação de um só fonema: passo, chá, manhã, palha, enviar, mandar.
Há dígrafos para representar consoantes e vogais nasais.
Os dígrafos para consoantes são os seguintes, com exceção de rr, ss, sc, sc, e xc.

Exemplos:

ch: chá sc: exceto
lh: malha rr: carro
nh: banha ss: passo
sc: nascer qu: quero
sc: nasça gu:guerra

Para as vogais nasais:

Exemplos:

am ou na: campo, canto
em ou em: tempo, vento
im ou in: limbo, lindo
om ou on: ombro, onda
um ou um: tumba, tundra

Ortografia


1. Preliminares

O alfabeto da língua portuguesa tem vinte e três letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, x, z. As letra k, w, y são empregadas somente em abreviatudras e símbolos internacionais de nomes estrangeiros e seus derivados.




2. Emprego do S

Na terminação -ês dos vocábulos que indicam origem, naturalidade, posição social.

Exemplos:

Francês, marquês, cortês, montês, japonês.


Nos femininos que tiverem o sufixo -esa, -isa.

Francesa, baronesa, japonesa, princesa, sacerdotisa, poetisa, profetisa (substantivo),duquesa, consulesa.

Nas palavras em -ase, -ise ou -ose, procedem do grego.

Exemplos:

Frase, fase, osmose, glicose, hidrólise, catálise.

Nos verbos derivados cujo sufixo é -ar e cuja palavra primitiva já tenha s.

Exemplos:

Avisar (aviso+ ar), analisar (analisa + ar), alisar, catalisar, frisar, paralisar, improvisar, pisar,arrasar, pesquisar.




Em todas as formas dos verbos pôr, querer, usar e seus derivados.

Exemplos:

Quis, quisemos, pus, puseste, pesemos, repus, compôs, usado etc.


Depois de um ditongo, usamos -s não z.

Exemplos:

Sousa, Neusa,coisa, pausa, lousa.


No sufixo –oso-, fonador de adjetivo qualificativo.

Exemplos:

Grandioso, formoso pavoroso, prazeroso, maravilhoso.



3. Emprego do Z


Nos nomes abstratos com sufixo -ez, -eza, derivados de adjetivos.

Exemplos:

Certeza (de certo), escassez (de escasso), invalidez (de inválido), belaza (de belo), lucidez (de lúcido), pobreza (de pobre), leveza (de leve), honradez, lividez.



Nos verbos derivados com o sufixo -izar.

Exemplos:
Canalizar (nala + izar), fartilizar (fértil + izar), civilizar, industrializar, profetizar.



Nos derivados em -zal, -zeiro, -zinho, -zito.

Exemplos:

Cafezal, cafezeiro, cafezinho, cafezito, irmãozinho, orfãzinha.




Palavras que possuem cognatos escritos com g ou c.

Exemplos:

Trazer (eu trago), rapaz (rapagão), audaz (audácia), veloz (velocidade).


Nos vocábulos derivados de outros terminados em -z.

Exemplos:

Cruzeiro (cruz + eiro), felizardo (feliz + ardo), enraizar (de raiz), apaziguar (de paz).

Nas palavras de origem arábicas, oriental e italiana.

Exemplos:

Azafama, azeite, azougue, azeviche, bazar, ojeriza, vizir, bizantino, gazeta.



4. Emprego do J

Nas palavras de origem indígena, africana ou popular.

Exemplos:

Canjica, jibóia, jequitibá, pajé, jenipapo, Moji, jeca, cafajeste, jiló.



5. Emprego do “Ç” (não “SS” nem “S”)


Nas palavras de procedência árabe, indígena ou africana.

Exemplos:

Açúcar, açude, Piraçununga, Paiçandu, alcaçuz, almoço, caiçara, camurça, muçulmano, Paraguaçu.


6. Emprego do X


Depois de ditongo emprega-se x (não ch).

Exemplos:

Trouxa, ameixa, deixar, caixa, afrouxar, baixela, baixo, feixe.


Nos vocábulos de origem indígena ou africana.

Exemplos:

Abacaxi, xavante, caxambu (dança negra), caxangá.


Depois da sílaba -em.

Exemplos:

Enxada, enxaguar, enxaqueca, enxergar, enxofre, enxotar, enxoval, enxurrada, enxugar.

Exceções:

Encher (e cognatos); palavras derivadas de outras escritas com ch (encharcar –de charco; enchouriçar –de chouriço; enchova; enchanboado).




7. Emprego do H

No final de certas interjeições.

Exemplos:

Ah!, oh! (interjeição que denota surpresa, espanto; não deve ser confundida com a interjeição ó, vocativa), ih! etc.
No interior de vocábulos nos três casos seguintes: na formação de digramas ch, lh, nh (cacho, alho, molhar, companhia)
Quando, em palavras compostas, o segundo elemento, iniciando por h, une-se ao elemento anterior por meio de hífen (anti-higiênico, luso-hispânico, super-homem, pré-história, sobre-humano etc).
Nos compostos sem hífen desaparecem o h (reaver, desonesto, desumano etc).
No topônimo Bahia (nome de Estado). Os derivados, entretanto, não conservam o h: baiano, baiana.
Emprega-se o h no início de palavras por força da etimologia do vocábulo (harpa, hindu, humilde, horta, hombridade, hosana etc)

8. Particularidades do emprego do H

Conquanto possuírem h etimologicamente, escreve-se sem essa letra algumas palavras, em virtude de ser a grafia consagrada pelo uso. Assim,: erva, inverno.
Entretanto, seus cognatos de formação conservam o h (hibernar, herbívoro).
Por derivar de uma forma latina vulgar, grafa-se também sem h inicial a palavra. Espanha; hispano e hispânico, porém, conservam o h por provirem de forma existente no latim clássico.
Quando não se comprova, etimologicamente, o h inicial, esta letra não aparece em português. Assim, grafar-se-á: úmido, unidade, ombro, iate, arpejo, ontem etc.
Em virtude de adoção convencional, na grafia de certas interjeições (hã? hem? hui! etc).

9. Emprego de iniciais maiúsculas

Usamos iniciais maiúsculas:
Na primeira palavra de período ou citação (Ele veio hoje).
Nos substantivos próprios (Brasil, Paulo, Pedro).
Em nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes (Idade Média, Natal, Ano Novo).
Em nomes de altos cargos e dignidades (Papa , Presidente da República).
Em nome de lugares (Rua Treze, Bairro Central).
Em nome de artes, ciências, títulos (Medicina, Os Lusíadas).
Nas expressões de tratamento (Vossa Senhoria, Sua Excelência).
Nos nomes dos pontos cardeais quando designam regiões (povos do Sul, o Nordeste brasileiro).
Nos nomes de altos conceitos religiosos ou políticos (Igreja, Nação, República).
Nos nomes comuns personificados (a Morte,o Amor).
Nos demais casos usa-se inicial minúscula (carnaval, março, inglês, ave-maria).

10. Emprego do “E” ou do “I”

Verbos em UIR ou UAR

Os verbos terminados em uir apresentam a 2º e 3º pessoa do singular do presente do indicativo e a 2º pessoa do singular do imperativo em i. Ex.: possuis, possui (possuir); constituis, constitui(constituir); contribuis, contribui (contribuir).
Os verbos terminados em uar apresentam-se no presente do subjuntivo em e. Ex.: continues, continue (continuar); atenues, atenue (atenuar); atues, atue (atuar); efetues, efetue (efetuar).
Os ditongos cuja grafia antiga era ae, oe devem ser escritos com i. Ex.: Morais, Góis, sói, corrói etc.

Observar a grafia:

acarear geada casimira
argênteo gradessíssimo cabriúva
arrepio mexeria crânio
candeeiro mexerico criação
carestia mimeógrafo discrição