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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Literatura na escola - 6º ano: Poemas de Paulo Leminski



Objetivos



Estimular o gosto pela leitura;
Desenvolver a competência leitora;
Desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico;
Estabelecer relações entre o lido / vivido ou conhecido (conhecimento de mundo);
Conhecer a diferença entre sentido literal e figurado;
Perceber a particularidade da palavra poética.


Conteúdos


Sentido literal e sentido figurado (ou denotativo e conotativo);
Paráfrase e interpretação;
Eu lírico ou Eu poético;
Forma literária.


Tempo estimado


Três aulas


Ano


6º ano


Material necessário

- Poemas Paulo Leminski.



Desenvolvimento


1ª etapa: Sentido literal x sentido figurado - paráfrase dos poemas



Coloque no quadro os seguintes poemas de Paulo Leminski:



1)
você está tão longe 
que às vezes penso 
que nem existo



nem fale em amor 
que amor é isto




2)
amarga mágoa 
o pobre pranto tem



por que cargas-d’água 
chove tanto
e você não vem?



3)
coisas do vento 
a rede balança
sem ninguém dentro



Peça que os alunos respondam por escrito:



1. O que fala cada um dos poemas? Faça uma "paráfrase" de cada poema, ou seja, explicite seu conteúdo no nível mais literal possível (saiba mais no Box abaixo).



2. Do que falam os poemas? Arrisque uma interpretação do sentido figurado, das entrelinhas de cada poema.

Na paráfrase, o leitor deve se ater ao que as palavras significam literalmente, no seu sentido usual, como se estivessem fora de contexto. Quando interpretamos um poema, buscamos seu sentido figurado, aquele que só existe em situações não usuais. Para isso, temos que ler nas entrelinhas.
Assim, literalmente no poema 1 um Eu lírico reclama a ausência de um Tu poético que está longe e diz que isso é amor. No segundo poema, a primeira estrofe fala que o pranto tem uma mágoa amarga e, na segunda estrofe, o Eu lírico pergunta por que o Tu poético não vem, já que chove muito. No último poema, o vento balança uma rede vazia.
Discuta com a classe como uma leitura literal empobrece e distorce o verdadeiro sentido dos poemas.


2ª etapa: Interpretação dos poemas


Retome o sentido literal de cada poema com a classe e peça que eles exponham suas ideias sobre o sentido figurado. Lembre-se que um bom poema pode comportar mais de uma interpretação

O primeiro poema fala do sentimento de vazio provocado pela ausência da pessoa amada, e que amar é sentir-se deixar de existir diante da ausência do outro. No poema dois, realizando uma analogia entre o choro e a chuva, o Eu lírico também reclama a ausência do ser amado. No último poema, o Eu lírico constata o vazio diante da ausência de um ser que preenchia uma rede com seu corpo e agora não a preenche mais.


Discuta com a sala:

- Os três poemas falam da mesma coisa?
- Os três poemas falam do mesmo jeito?
- No que os poemas são diferentes?


3ª etapa: Análise dos poemas: conceito de Forma Literária



Retome os três poemas e a discussão anterior.

De fato, os três poemas de Paulo Leminski se aproximam tematicamente na medida em que tratam de ausência e saudade. No entanto, é importante observar que são muito diferentes no que se refere à sua forma: para falar do mesmo "assunto", cada um usa uma imagem e cada um faz um jogo diferente com as palavras. Vejamos:

O primeiro poema figura a saudade do ser amado usando uma rima bastante significativa: existo e isto. O ser amado vai para longe e ele sente como se não existisse e, muito por meio da rima, afirma que isso é que é o amor.

O segundo poema figura o mesmo tipo de saudade fazendo uma analogia entre o pranto e a chuva. Quando o Eu lírico pergunta "porque cargas d`água chove tanto e você não vem" e a palavra "vem" rima com a amarga mágoa que o pobre pranto "tem", percebemos a analogia entre pranto e chuva. O que o Eu lírico reclama é a ausência do ser amado mesmo diante de seu intenso sofrimento (traduzido em pranto, figurado em chuva).
O último poema, rimando vento e dentro, figura a ausência por meio da imagem de uma rede vazia.


Mostre aos alunos que, na linguagem poética, a FORMA vale tanto quanto o CONTEÚDO. Mais que isso, o conteúdo só ganha sentido por meio da forma. Em poesia, e em arte de um modo geral, FORMA É CONTEÚDO.


Avaliação


Em uma aula, individualmente e com consulta ao livro e ao caderno, peça que os alunos respondam as mesmas questões com poemas diferentes.

Bibliografia

Site de pesquisahttp://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/literatura-escola-6o-ano-poemas-paulo-leminski-553855.shtml


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Interpretação de Textos: A indiferença da natureza




Eu me lembro do choque e da irritação que sentia, quando criança, ao assistir a documentários sobre a violência do mundo animal; batalhas mortais entre escorpiões e aranhas, centenas de formigas devorando um lagarto ainda vivo, baleias assassinas atacando focas e pinguins, leões atacando antílopes, etc. Para finalizar, apareciam as detestáveis hienas, “rindo” enquanto comiam os restos de algum pobre animal.
Como a Natureza pode ser assim tão cruel e insensível, indiferente a tanta dor e sofrimento? (Vou me abster de falar da dor e do sofrimento que a espécie dominante do planeta, supostamente a de maior sofisticação, cria não só para os animais, mas também para si própria.) Certos exemplos são particularmente horríveis: existe uma espécie de vespa cuja fêmea deposita seus ovos dentro de lagartas. Ela paralisa a lagarta com seu veneno, e, quando os ovos chocam, as larvas podem se alimentar das entranhas da lagarta, que assiste viva ao martírio de ser devorada de dentro para fora, sem poder fazer nada a respeito. A resposta é que a Natureza não tem nada a dizer sobre compaixão ou ética de comportamento. Por trás dessas ações assassinas se esconde um motivo simples: a preservação de uma determinada espécie por meio da sobrevivência e da transmissão de seu material genético para as gerações futuras. Portanto, para entendermos as intenções da vespa ou do leão, temos que deixar de lado qualquer tipo de julgamento sobre a “humanidade” desses atos. Aliás, não é à toa que a palavra “humano”- quando usada como adjetivo – expressa o que chamaríamos de comportamento decente. Parece que isentamos o resto do mundo animal desse tipo de comportamento, embora não faltem exemplos que mostram o quanto é fácil nos juntarmos ao resto dos animais em nossas ações “desumanas”.
A ideia de compaixão é puramente humana. Predadores não sentem a menor culpa quando matam as suas presas, pois sua sobrevivência e a da sua espécie dependem dessa atividade. E dentro da mesma espécie? Para propagar seu DNA, machos podem batalhar até a morte por uma fêmea ou pela liderança do grupo. Mas aqui poderíamos também estar falando da espécie humana, não?

(Marcelo Gleiser, Retalhos cósmicos. S. Paulo: Companhia das Letras, 1999, pp. 75-77)


INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

1. Considerando-se o choque e a irritação que o autor sentia, quando criança, com as cenas de crueldade  do mundo animal, percebe-se que, com o tipo de argumentação que desenvolve em seu texto, ele pretende? 

2. O que irritava tanto, o narrador, quando criança? O que ele assistia que o deixava tão nervoso? Retire do texto um trecho que comprove sua afirmação: