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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Carta a um Orientador Educacional



Prezado Orientador Diego,

Trabalhar com crianças com necessidades especiais não é tarefa fácil, nem tão pouco se verá resultados da noite para o dia, mas ao fim de um obstáculo será muito reconfortante alcançar mais uma etapa de forma satisfatória, seguindo conselhos de grandes teóricos, educadores, etc., os quais nos ajudam a solucionar e entender tais desafios.
A respeito desses novos desafios que você terá que enfrentar pela frente, dar-lhe-ei algumas recomendações e sugestões que o ajudará a enfrentar esse primeiro desafio profissional, mediante importantes teóricos e educadores. Espero que estes sejam de grande valia para você.
Como nos é sabido acerca da inclusão, é que ela se trata de um processo em crescimento, não só em nível nacional, mas também em esfera mundial; para tal, ela vem amparada por documentos legais tais como LDB nº 9.394 (Brasil,1996), Diretrizes Nacionais para a Educação Básica (Brasil, 2001), os quais estabelecem vários níveis diferenciados de ação, sendo de âmbito relacionado à sua natureza: política, administrativa e técnica, e que “deve ser paulatinamente conquistada” (Carvalho 1997).
Desta forma, tal temática – inclusão – segundo Aranha (2001) tem como base a inserção de alunos, sendo estes possuidores de necessidades educacionais especiais, em classes comuns; no qual refere-se a ideia de acolhimento, não de exclusão destes alunos com deficiência.
Contudo, é nítido que a educação especial ocupa espaço em vários veículos de comunicação – como a mídia - na literatura, nos congressos, etc. E temos como mola propulsora a Conferência de Educação para Todos (1990). Mas, infelizmente, o nosso país está ainda muito longe de se tornar um país em que haja, realmente, uma educação de qualidade para todos, mas nós não podemos esmorecer mediante a este quadro de abandono. Por isso você, como orientador, tem que erguer a cabeça e não perder o alvo e, sim, pôr em prática a teoria aprendida no curso de Pedagogia.
Mediante a leitura de alguns estudos, percebi que os tais nos revelam que, crianças com necessidades educacionais especiais, em situações de ensino regular, têm melhor desempenho social e acadêmico se comparadas àquelas as quais apenas recebem a educação especial propriamente dita (Stainback & Stainback, 1992; Strully & Strully, 1996). Tal realidade me motivou nesta minha jornada e sei que também lhe ajudará na sua.
Para que possamos transformar nosso tão sofrido país é necessário enfrentarmos gigantes, não fugir dos mesmos. Sei que tal tarefa não será fácil, mas a inclusão é a saída, não a exclusão, que é a rota de fuga, a mais fácil de se tomar. Assim, uma reunião com os pais é de grande valia, para que tais verdades sejam apontadas e para que nosso país possa, assim, crescer, sendo mais justo e havendo, realmente, a Educação para Todos; havendo, com isso, respeito, união e ajuda mutua, podemos com isso mudar um pouco que seja a história de nossa educação e, por que não dizer de nosso país, pois sabemos que uma onda pode começa com apenas uma pequena gota no oceano; que você possa ser essa pequena onda como orientador educacional.
Como você bem sabe, seu papel é de orientar o aluno, também, quanto ao processo escolar, e de ensiná-lo a estudar. E não só isso, seu papel vai bem mais além, englobando não só a orientação escolar, mas a relação família-escola, escola-comunidade e até em relação à saúde, relações humanas, acompanhamento pós-escolar e a orientação para o lazer, orientação vocacional e para o trabalho. Grande é a sua responsabilidade, devendo seguir a Nova Ordem Pedagógica, com seus quatro pilares educacionais que são: fazer, ser, conhecer e conviver. Assim, é sua função, como orientador, fazer o elo entre a escola e os pais, ou responsáveis, e a comunidade, sendo, contudo, o articulador das relações interpessoais na escola. Desta forma, nas palavras de Delors (1999) devemos aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a conviver, aprender a fazer.

Atenciosamente,

Fabiane Senday