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terça-feira, 15 de setembro de 2009

O que é mito?




Embora todos os povos sempre produziram seus contos, suas lendas, seus personagens extraordinários, não podemos confundir o mito com fábula ou lenda, pois ele é real. No tempo de Homero (século VII, A.C.), o mito designava um discurso genérico acerca das coisas e somente mais tarde essa palavra passou a significar um "conto sobre a divindade", uma história que envolvia o céu e a terra, os seres celestes e os mortais.
Como cita Mircea Eliade – Os Mitos do Mundo Moderno, páginas 15 e 16, em Mitos, Sonhos e Mistérios: “O que é realmente um mito”? Na linguagem corrente do século XIX, o mito significava tudo o que se opunha à realidade: da criação de Adão ao homem invisível, tal como a história do mundo contada pelos Zulus ou a Teogonia de Hesíodo, eram “mitos”. Como muitos outros lugares comuns do Iluminismo e do Positivismo, este também era de estrutura e origem cristã; porque, para o cristianismo primitivo, tudo aquilo que não tinha justificação num ou noutro dos dois Testamentos era falso: era uma “fábula” (...). Começa finalmente a conhecer-se e compreender-se o valor do mito, tal como elaborado pelas sociedades “primitivas” e arcaicas, isto é, pelos grupos humanos entre os quais o mito é a propria fundamentação da vida social e cultural (...) Sendo real e sagrado, o mito torna-se exemplar e, por conseguinte, passivel de se repetir, porque serve de modelo e, conjuntamente, de justificação a todos os actos humanos”. Assim, o mito – apesar de ser um conceito não definido de modo preciso e unânime – constitui uma realidade antropológica fundamental, pois ele não só representa uma explicação sobre as origens do homem e do mundo em que vive, como traduz por símbolos ricos de significado o modo como um povo, ou civilização, entende e interpreta a existência.
A origem do mito perde-se na penumbra da pré-história, mas podemos fazê-la coincidir, ao menos virtualmente, com o acontecimento chave, que demarcou inexoravelmente o surgimento da espécie humana, um acontecimento de extraordinária importância no longo caminho da evolução do homem, que foi o despertar da consciência, do pensamento reflexivo. Pode-se afirmar, com isso, que o mito nunca foi e nem será jamais totalmente extirpado da vida humana, porque a sua origem se confunde com a do próprio homem.
Mas, o que é realmente um mito? Poderíamos afirmar ser uma narrativa tradicional de conteúdo sagrado ou mágico, que procura explicar os principais acontecimentos da vida por meio do sobrenatural. O conjunto de narrativas desse tipo e o estudo das concepções mitológicas encaradas como um dos elementos integrantes da vida social são denominados mitologia. Os mitos trabalham com a idéia não linear – idéia de tempo circular. Já, no mundo moderno, o grande mito ocidental é o cristianismo. Também, podemos afirmar que os mitos só podem ser revividos nos ritos; o rito abre a porta do templo; e transporta ao tempo mítico – tempo profano versus tempo religioso (visão dos mitólogos).
Segundo Mircea Eliade, já citado anteriormente, que atribue importância especial ao contexto religioso do mito. Com efeito, são muito frequentes os mitos que versam sobre a origem dos deuses e do mundo (chamados, respectivamente, mitos teogônicos e cosmogônicos), dos homens, de determinados ritos religiosos, de preceitos morais, tabus, pecados e redenção. Em certas religiões, os mitos formam um corpo doutrinal e estão estreitamente relacionados com os rituais religiosos – o que levou alguns autores a considerar que a origem e a função dos mitos é explicar os rituais religiosos. Mas tal hipótese não foi universalmente aceita, por não esclarecer a formação dos rituais e porque existem mitos que não correspondem a um ritual.
Ainda citando Mircea Eliade, Aspectos do Mito, páginas 12 e 13, a tentativa de definir mito é a seguinte: “o mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares (...) o mito conta uma história sagrada, relata um acontecimento que teve lugar no tempo primordial, o tempo fabuloso dos começos...o mito conta graças aos feitos dos seres sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, quer seja uma realidade tetal, o Cosmos, quer apenas um fragmento, uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, é sempre portanto uma narração de uma criação, descreve-se como uma coisa foi produzida, como começou a existir...”
O mito só fala daquilo que realmente aconteceu – do que se manifestou – sendo as suas personagens principais seres sobrenaturais, conhecidos devido aquilo que fizeram no tempo dos primordios. Os mitos revelam a sua atividade criadora e mostram a “sobrenaturalidade” ou a sacralidade das suas obras. Em suma, os mitos revelam e descrevem as diversas e frequentemente dramáticas eclosões do sagrado ou sobrenatural no mundo. É está “intormição” ou eclosão do sagrado (sobrenatural), que funda, que dá origem ao mundo tal como ele é hoje. Sendo também graças à intervenção de seres sobrenaturais que o homem é o que é hoje. O homem contemporâneo, por sua vez, sente a peremptória necessidade de um mito. O ceticismo é infecundo e o homem não se conforma com a infecundidade da sociedade moderna.
Em suma, o papel do Mito é extremamente importante na constituição da cultura, independente do local em que se originou – se pertence ou não a um povo. Ele contribuiu para o desenvolvimento individual e colectivo. Os mitos permitem a tomada de consciência sobre a vida instintiva, possuem a capacidade de gerarem padrões de comportamento que garantem a evolução psico-sosial, e a atitude criativa perante a vida (nos diferenciando dos animais). Eles não deixam de representar a história da nossa humanidade, dando um sentido à nossa existência afectiva e espiritual.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cultura: algo a se pensar e pesar

Desde que mundo é mundo há esta questão do etnocentrismo, seguido pelo preconceito e racismo. Tais elementos, ainda, permanecem firmes e fortes na sociedade mundial. Não houve mudanças quanto a este aspecto, pois já havia na Grécia, Roma, na Inglaterra, entre outros países que não foram citados. Focaremos os EUA, que desde sua colonização, até os dias atuais, mantém intacto tal postura de superioridade entre os demais povos – países.
Como é citado no livro de Roque dos Santos Laraia, por título Cultura, um conceito antropológico, página 13: Na Antiguidade já era comum tal tentativa de explicar as diferenças de comportamento entre os homens, a partir das variações dos ambientes físicos. Ele cita ainda que alguns povos acreditavam que, por razões climáticas, pudesse haver “um povo que fosse superior” e “outro inferior”, mas ao me ver não há firmeza em tal afirmação. Não existe tal idéia de superioridade e inferioridade cultural, pois entendemos por cultura tudo aquilo que o homem faz.
Quanto aos EUA, no período de colonização, tentou tornar o índio civilizado e “culto”. Os colonizadores impuseram sua cultura, que aos seus olhos era superior, mas estes a rejeitaram. Por fim, a maioria dos índios foi exterminada.
Avançando no tempo, notamos que o preconceito Americano se voltou para a antiga Rússia. Um livro foi escrito por um Americano que não tinha tal pensamento etnocêntrico, intitulado como As Bruxas de Salém. Em forma de peça, ele critica os EUA que agia de forma preconceituosa em relação a tal país, querendo fazer uma denuncia a tal postura Americana. Este tem como foco a luta entre poder e religião, onde o diabo é o outro, neste caso a Rússia. Daí fica evidente tal ato de preconceito contra outro país.
Não devemos jamais ter tal postura preconceituosa contra qualquer outra cultura, raça ou costumes, pois cultura é formada de saberes diferentes, sendo elas iguais nas suas diferenças. Mesmo que o diferente nos confunda e nos aborreça muitas vezes, devemos manter uma postura bem longe daquela adotada por pessoas etnocêntricas.
Já a muito nos agrada a idéia do “Relativismo cultural”, onde não há o espanto em demasia com os costumes de outros povos. Portanto, este os entende como uma cultura diferente da sua, não sendo inferior. Tal pensamento teve origem na França, após Einstein.

É nos claro a diversidade cultural que há no mundo, onde na página 15, do livro já citado de Mircea Eliade, encontramos o seguinte: O nudismo é uma prática tolerável em certas praias européias, enquanto nos países islâmicos, de orientação xiita, as mulheres mal podem mostrar o rosto em público. Nesses países, o adultério é uma contravenção grave que pode ser punida com a morte ou longos anos de prisão.
Mais adiante ele conclui, na página 16, algo que concordamos: Enfim, todos estes exemplos (...) servem para mostrar que as diferenças de comportamento entre os homens não podem ser explicadas através das diversidades somatológicas ou mesolósicas. Tanto o determinismo geográfico como o determinismo biológico (...) foram incapazes de resolver o dilema proposto no início deste trabalho. Este dilema é a conciliação da unidade biológica com a grande diversidade cultural da espécie humana.
Embora ajam conceitos que não concordamos segundo o determinismo geográfico, há conceitos bastantes relevantes apontados pelo determinismo biológico. Mas, em nenhum deles é encontrado a resposta a dúvida do que é cultura.
Em suma, devemos respeitas toda e qualquer cultura que haja em nosso magnífico planeta. Jamais sermos etnocêntricos, capazes de sentir-se superior ao outro. A diferença é o que nos completa e a tolerância às diferenças é a chave para um mundo mais humano e compreensivo. Não querer que o outro seja como nós, mas o aceitar em suas diferenças e aprender a conviver com isto. Quem sabe, se tais regras forem seguidas o mundo não se torne um lugar melhor de viver?