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segunda-feira, 26 de março de 2018

Literatura: Ensino Médio - A presença da Morte nas obras de Manuel Bandeira e Castro Alves



Manuel Bandeira

1.      Biografia

Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira e de sua esposa Francelina Ribeiro, era neto paterno de Antônio Herculano de Sousa Bandeira, advogado, professor da Faculdade de Direito do Recife e deputado geral na 12ª legislatura. Tendo dois tios reconhecidamente importantes, sendo um, João Carneiro de Sousa Bandeira, que foi advogado, professor de Direito e membro da Academia Brasileira de Letras e o outro, Antônio Herculano de Sousa Bandeira Filho, que era o irmão mais velho do engenheiro Sousa Bandeira e foi advogado, procurador da coroa, autor de expressiva obra jurídica e foi também Presidente das Províncias da Paraíba e de Mato Grosso.
Seu avô materno era Antônio José da Costa Ribeiro, advogado e político, deputado geral na 17ª legislatura. Costa Ribeiro era o avô citado em Evocação do Recife. Sua casa na rua da União é referida no poema como "a casa de meu avô".
Em 1904 terminou o curso de Humanidades e foi para São Paulo, onde iniciou o curso de arquitetura na Escola Politécnica de São Paulo, que interrompeu por causa da tuberculose. Para se tratar buscou repouso em Campos do Jordão, Campanha e outras localidades de clima mais ameno. Com a ajuda do pai que reuniu todas as economias da família foi para Suíça, onde esteve no Sanatório de Clavadel, onde conheceu o jovem Paul Eugene Glidel, que mais tarde se tornou conhecido poeta francês sob o nome de Paul Eluard, e Gala, que foi esposa de Paul Eluard e posteriormente esposa de Salvador Dali.

Manuel Bandeira faleceu no dia 13 de outubro de 1968 com hemorragia gástrica aos 82 anos de idade, diante da sobrinha Helena Bandeira Cardoso ,no Hospital Bom Samaritano, no Rio de Janeiro, e foi sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

2.      A presença da morte na Obra de Manuel Bandeira

A morte também aparece frequentemente na obra bandeiriana e José Lins do Rego explicou muito bem porque, em sua contribuição à obra coletiva de 1936 Homenagem a Manuel Bandeira: "Nada se parece mais com Manuel Bandeira que a sua poesia. O homem não é no seu caso o outro lado da sua arte, como sucede com Augusto Frederico Schmidt, que a gente lê espantado, sem encontrar um jeito de ligar a poesia com o seu autor." Manuel Bandeira foi, portanto, o contrário de Fernando Pessoa, para quem "o poeta é um fingidor".
   Ele viu a Morte tão de perto que ela se tornou o seu tema preferido. Não fingia, portanto, nem romantizava quando escrevia, em 1912, concluindo o segundo poema de seu livro de estréia, em 1917, A Cinza das Horas: "- Eu faço versos como quem morre." Até num livro que se chama Carnaval - o segundo por ele publicado, em 1919 - a Morte aparece como "Dama Branca":

"A Dama Branca que eu encontrei,
Há tantos anos,
Na minha vida sem lei nem rei,
Sorriu-me em todos os desenganos.
Essa constância de anos a fio,
Sutil, captara-me. E imaginai!
Por uma noite de muito frio
A Dama Branca levou meu pai."

   Em Libertinagem, livro publicado em 1930, aparecem, além de "Pneumotórax", o "Poema de Finados" e "O Último Poema", que é uma de suas obras-primas, escrito com uma compulsão responsável pela eliminação de vírgulas e pontos:

"Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação."

Como era natural que acontecesse, a Morte reaparece com mais frequência nos dois últimos livros de Manuel Bandeira: Opus 10 e Estrela da Tarde. Ambos surgiram inicialmente em edições para bibliófilos, a primeira impressa em Niterói por Thiago de Melo e Geir Campos (Hipocampo) em 1952 e a segunda na Bahia (Dinamene) em 1960. Os seis últimos poemas de Estrela da Tarde estão agrupados sob o título "Preparação para a Morte".

Castro Alves

                 1.     Biografia

Sua mãe faleceu em 1859. O pai se casou por segunda vez em 24 de janeiro de 1862 com a viúva Maria Rosário Guimarães. No dia seguinte ao do casamento, o poeta e seu irmão Antônio José partiram para o Recife, enquanto o pai se mudava para o solar do Sodré.
Em maio, submeteu-se à prova de admissão para o ingresso na Faculdade de Direito do Recife sendo reprovado.
No dia 17 de maio, Castro Alves publicou no primeiro número de A Primavera seu primeiro poema contra a escravidão: A canção do africano. A tuberculose se manifestou e em 1863 teve uma primeira hemoptise.
Em 1864 seu irmão José Antônio, que sofria de distúrbios mentais desde a morte de sua mãe, suicidou-se em Curralinho. Ele enfim consegue matricular-se na Faculdade de Direito do Recife e em outubro viaja para a Bahia. Só retornaria ao Recife em 18 de março de 1865, acompanhado por Fagundes Varela.
Em 1866, tornou-se amante de Eugênia Câmara.
Em março, viajou com Eugênia para São Paulo. Decidira ali - na Faculdade de Direito de São Paulo - continuar seus estudos, e se matriculou no terceiro ano.
Desfaz-se em 28 de agosto de 1868 sua ligação com Eugênia Câmara. Castro Alves foi aprovado nos exames da faculdade de Direito e a 11 de novembro - tragédia de grandes consequências - se feriu no pé, durante uma caçada. Tuberculoso, aventara uma estadia na cidade de Caetité, onde moravam seus tios e morrera o avô materno. Mas, antes disso, ainda em São Paulo, na tarde de 11 de novembro, resolveu realizar uma caçada na várzea do Brás e feriu o pé com um tiro. Disso resultou longa enfermidade, cirurgias, chegando ao Rio de Janeiro no começo de 1869, para salvar a vida, mas com o martírio de uma amputação. Os cirurgiões e professores da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Andrade Pertence e Mateus de Andrade, amputaram seu membro inferior esquerdo sem qualquer anestesia.
Em março de 1869, matriculou-se no quarto ano do curso jurídico, mas a 20 de maio, tendo piorado seu estado, decidiu viajar para o Rio de Janeiro, onde seu pé foi amputado em junho.
Em fevereiro de 1870 seguiu para Curralinho para melhorar a tuberculose que se agravara, viveu na fazenda Santa Isabel, em Itaberaba. Em setembro, voltou para Salvador. Ainda leria, em outubro, A cachoeira de Paulo Afonso para um grupo de amigos, e lançou Espumas flutuantes.

Morreu às três e meia da tarde, no solar da família no Sodré, Salvador, Bahia, em 6 de julho de 1871.

                     2.      A presença da Morte na poesia de Castro Alves


Nessa perspectiva em que a obra escreve a vida, em Castro Alves, como em outros poetas do Romantismo, o movimento que parte da obra dinamiza a vida e faz eclodir a morte. Chegada a morte, já não se pode fruí-la no plano meramente humano, pois o suspiro que antecede a chegada da morte (ainda mesclada à vida, nesse estágio) – aquele suspiro que fez Goethe pedir “Luz, mais luz!” – não permite que a morte seja fruída em vida. Conversamente, na poesia a morte assume, por vezes, todo o espaço, preenche o interstício mínimo que separa a palavra do silêncio.
Morte e vida alçam-se a uma dimensão, na poesia de Castro Alves. A vida do poeta não é a vida do mundo, embora só possa existir partida do mais íntimo mergulho na existência. A partir desse enraizamento na vida, o desenraizamento pela morte.
Através da imersão na vida – na qual todos os sentidos participam, em nosso poeta, num sensualismo avassalador em que os elementos dionísicos parecem conclamá-lo a deter-se na totalidade da matéria em sua irrupção selvagem, expressos no plano verbal por intenso processo sinestésico – a descoberta de sua ausência. No relato lírico do instante que passa, o contato vivo com a matéria alcança o momento em que tudo estanca:

Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
– Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.
Mas uma voz responde-me sombria
“Terás o sono sob a lájea fria”.

E em seguida:

E eu sei que vou morrer...dentro em meu peito
Um mal terrível me devora a vida:
Triste Ahasverus, que no fim da estrada,
Só tem por braços uma cruz erguida.
Sou o cipreste, qu’inda mesmo florido,
Sombra de morte no ramal encerra!
Vivo – que vaga sobre o chão da morte,
Morto – entre os vivos a vagar na terra.

Esse, o movimento do poeta: retira-se da vida através de uma experiência estigmatizada, Ahasverus ou Cristo que não pode fugir a seu destino, já que é um ser de eleição.
E o que a poesia revela a seus eleitos? “Sofrer, sofrer e mais sofrer”, disse um outro poeta. Sofrer por estar sempre entre, sempre na fronteira. Então, modestamente, nesse limite que separa a vida da morte, o finito do infinito, a palavra do silêncio, usando duas vozes, vivendo em dois mundos, o poeta escreve sua poesia, onde se imprime essa iminente interfusão de níveis, possível apenas, e fugazmente, no fazer poético.

Conclusão

Após leitura e análise da vida e obra destes dois escritores, e surpreendentes poetas brasileiros, percebemos a vida em comum de ambos. Tanto Castro Alves, como Manuel Bandeira sofriam do mesmo mal – a tuberculose.
Contudo, percebemos a ideia de continuidade nos poemas de Bandeira em relação aos com a temática da morte, de Castro Alves.

  





Dica de Avaliação para o Fundamental II: Estudo do Texto - Narrativo e Descritivo



Nesse bimestre trabalhamos com o texto narrativo e descritivo. Assim, entendemos por narrar a capacidade de imaginar histórias de ficção e conta-las. Esta capacidade é usada principalmente na criação de contos, fábulas, romances etc. Já, por descrever, entendemos que se trata da capacidade de contar fatos de forma detalhada
Com isso, as sequências narrativas apresentam uma sucessão temporal/causal de eventos (começo/meio/fim; antes/depois) entre as quais ocorre algum tipo de modificação de um estado de coisas. Há predominância de verbos de ação, bem como de advérbios de tempo e causa, tanto em discursos diretos, como em indiretos e indiretos livres. Já as sequências descritivas caracterizam-se pela apresentação de propriedades, qualidades, elementos componentes de uma entidade (referente), sua situação no espaço etc. predominam os verbos de estado, no tempo presente nos comentários e no pretérito imperfeito no interior de um relato.

Desta maneira, fazemos o estudo das características desses tipos de textos.



     Este desenho, do século XI, conta a história da conquista da Inglaterra pelos normandos.   Esta cena descreve uma aparição do cometa, que mais tarde recebeu o nome de Halley.


O cometa


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a terra, não haveria mais aulas de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico*, a árvore de moedas que um padrinho surrealista* preparava para o afilhado que ia visita-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando – mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.
O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa de Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz, e airosamente deslizou sobre nossas cabeças, sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. O rabo dele media... Como posso referir em escala métrica as proporções de uma escultura de luz, esguia e estelar, que fosforeja sobre a infância inteira? No dia seguinte, todos se cumprimentavam satisfeitos, a passagem do cometa fizera a vida mais bonita. Havíamos armazenado uma lembrança para gerações vindouras que não teriam a felicidade de conhecer o Halley, pois ele se dá ao luxo de aparecer só a cada 76 anos.


ANDRADE, Carlos Drummond de. A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1967.




Cometa Halley




Tico-Tico: era o nome de uma revista infantil que começou a ser publicada em 1905. Foi uma das primeiras revistas, no Brasil, a apresentar histórias em quadrinhos. Sobreviveu até 1956.



Surrealismo: surgiu na França na década de 1920. Este movimento foi significativamente influenciado pelas teses psicanalíticas de Sigmund Freud, que mostram a importância do inconsciente na criatividade do ser humano. A década de 1930 é conhecida como o período de expansão surrealista pelo mundo.


1. Qual o foco narrativo do texto? 

Trata-se de um narrador personagem, em primeira pessoa.

2. Nesse texto, a linguagem foi usada com a função de... 

a) fornecer informações sobre o cometa.
b) convencer o leitor da importância do cometa.
c) contar a experiência do autor relacionada com a aparição do cometa.
d) explicar algum aspecto da própria língua.


3. Retire do texto um trecho que há uma sequência descritiva.


"O cometa de Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz, e airosamente deslizou sobre nossas cabeças, sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. O rabo dele media... Como posso referir em escala métrica as proporções de uma escultura de luz, esguia e estelar, que fosforeja sobre a infância inteira?"

4. Agora que haja uma sequência narrativa.

"Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a terra, não haveria mais aulas de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visita-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando – mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade". 


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Uso da Crase



A palavra crase é de origem grega e significa "fusão", "mistura". Na língua portuguesa, é o nome que se dá à "junção" de duas vogais idênticas. Na maioria das vezes, um a preposição com um a artigo. 
No português, marcamos a crase com o acento grave (`).

Para entender melhor:

Obedecemos ao regulamento.
( a + o )

Não há crase, pois o encontro ocorreu entre duas vogais diferentes.

Obedecemos à norma.
( a + a )

Há crase, pois temos a união de duas vogais iguais ( a + a = à )


A junção da preposição a com o pronome demonstrativo feminino a, as, ou com o a de aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a qual  e as quais é marcada pela crase.

Observe:

Deu o livro àquele garoto.

Aquele garoto recebeu o livro.

Deu o livro a alguém.

Verbo transitivo direto e indireto pede a preposição a.

Analise, agora, os exemplos a seguir. 

Exemplo 1. 

Vou à igreja. 

Vou a algum lugar. 

Este lugar é a igreja. 

Neste exemplo, temos a ocorrência da preposição "a", exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo "a" que está determinando o substantivo feminino igreja.

Exemplo 2

Conheço a aluna. (Conheço alguém). 

O verbo conhecer NÃO pede a preposição a

A aluna que conheço chegou. 

Não há crase porque no exemplo há apenas artigo, não há preposição.


Refiro-me à aluna. (Refiro-me a alguém). 

O verbo referir pede a preposição a. O substantivo feminino “aluna” pode ser antecedido do artigo a.

No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (conhecer algo ou alguém), por isso não exige preposição e a crase não pode ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é transitivo indireto (referir-se a algo ou a alguém) e exige a preposição "a". Portanto, a crase é possível, desde que o verbo admita a preposição “a” e o termo seguinte seja feminino e admita o artigo feminino "a" ou um dos pronomes já especificados.

Exemplo 3

Fui à Bahia.

Houve crase porque:

Bahia é um substantivo que admite ser antecedido pelo artigo “a”:

A Bahia é um estado maravilhoso.

O verbo “ir” exige a preposição “a”:

Fui a esse estado.


Exemplo 4 

Falou a verdade à colega. 

Falou a alguém 

Falou a verdade 

SEMPRE haverá crase.


1) Antes de palavras femininas que se ligam a verbos ou nomes regidos da preposição a

Vou à escola. 

Prefiro minha casa à (casa) de Rita.


2) Antes de palavra masculina que subentenda a presença de uma palavra feminina que se liguem a verbo ou nome regidos da preposição a

Irei amanhã à Rádio Interativa. (Irei amanhã à estação da Rádio Interativa).


3) Antes de numeral cardinal que indique horas (a palavra horas está implícita): 

Irei às sete horas amanhã. 

Estarei no evento às vinte e uma horas. 

Observação: - com a preposição "até", a crase será facultativa. 

Exemplo: 

Dormiram até as/às 14 horas.


4) Em locuções adverbiais, conjuntivas ou prepositivas formadas por palavras femininas: 

Adverbiais: às pressas, à tarde, à noite, à toa, às escondidas, à força, às cegas... 

Ex: Saiu às pressas. 

Conjuntivas: à proporção que, à medida que... (Exceção: a prestação.) 

Ex: Ele suava à proporção que corria. 

Prepositivas: à falta de, à espera de, à vista de, à beira de... 

Ex: Ele estava à beira de cometer uma loucura. 

Outros exemplos:

à chave
às ocultas
às pressas
à escuta
às claras
à imitação de
à vontade
à beça
à larga
às avessas
à revelia
à exceção de
à esquerda
às turras
às vezes
à direita
à procura
à deriva
à luz
à sombra de
à frente de
à semelhança de
às ordens
à beira de

5) Antes da palavra distância Se a palavra distância estiver especificada ou determinada (antecedida do artigo a), a crase deve ocorrer.

Sua casa fica à distância de 100 quilômetros daqui. (A palavra está determinada.) 

Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A palavra está especificada.) 

Se a palavra distância não estiver especificada, a crase não pode ocorrer. 

Os militares ficaram a distância. 

Ensinou a distância. 

Observação: por motivo de clareza, para evitar ambiguidade, pode-se usar a crase. 

Gostava de fotografar à distância. 

Ensinou à distância.

6) Antes de palavras femininas que permitam a troca do a por: para a(s), na(s), pela(s) e com a(s). 

Dei uma flor à menina. (Dei uma flor para a menina.) 


7) Diante da palavra "moda", com o sentido de "à moda de" (mesmo que a expressão moda de fique subentendida): 

O jogador fez um gol à (moda de) Pelé. 

Usava sapatos à (moda de) Luís XV.

Casos ESPECIAIS


1) Crase antes de casa.

A palavra casa, no sentido de lar, residência própria da pessoa, se não vier determinada por um adjunto adnominal não aceita o artigo, portanto não ocorre a crase.
Por outro lado, se vier determinada por um adjunto adnominal, aceita o artigo e ocorre a crase.

Ex: Volte a casa cedo. (preposição sem artigo)

Volte à casa dos seus pais.

(preposição + artigo)
(adjunto adnominal)


2) Crase antes da palavra terra.

A palavra terra, no sentido de chão firme, tomada em oposição a mar ou ar, se não vier determinada, não aceita o artigo e não ocorre a crase.

Ex: Já chegaram a terra. (preposição sem artigo)

Se, entretanto, vier determinada, aceita o artigo e ocorre a crase.

Ex: Já chegaram à terra dos antepassados. (preposição + artigo - adjunto adnominal)

3) Crase antes dos pronomes relativos.

3.1) Antes dos pronomes relativos quem e cujo não ocorre crase.

Ex:

Achei a pessoa a quem procuravas.

Compreendo a situação a cuja gravidade você se referiu.

3.2) Antes dos relativos qual ou quais ocorrerá crase se o masculino correspondente for ao qual, aos quais.

Ex:

Esta é a festa à qual me referi.

Este é o filme ao qual me referi.

Estas são as festas às quais me referi.

Estes são os filmes aos quais me referi.


4) Crase depois da preposição até.

Se a preposição até vier seguida de um nome feminino, poderá ou não ocorrer a crase. Isso porque essa preposição pode ser empregada sozinha (até) ou em locução com a preposição a (até a).

Ex:

Chegou até à muralha.
(locução prepositiva = até a)
(artigo = a)

5) Crase antes do que.

Em geral, não ocorre crase antes do que.

Ex:

Esta é a cena a que me referi.

Pode, entretanto, ocorrer antes do que uma crase da preposição a com o pronome demonstrativo que necessita de artigo feminino (equivalente a aquela).

7) Crase com o pronome demonstrativo "a

A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo "a" pode ser detectada pela substituição do termo regente feminino por um termo regido masculino. 

Ex: 

Minha revolta é ligada à do meu país. 

Meu luto é ligado ao do meu país. 

As orações são semelhantes às de antes. 

Os exemplos são semelhantes aos de antes.


Crase FACULTATIVA 

1) Antes de nomes próprios femininos: 

Entregarei o livro a Carmem amanhã (ou à Carmem). 

Escrevi a Martha Medeiros, autora do meu livro preferido (ou à Martha Medeiros). 


2) Antes de pronome possessivo feminino singular: 

Diga a sua mãe que ligarei mais tarde (à sua mãe). 

Oferecemos gratidão a nossa professora (ou à nossa professora).


NÃO haverá crase: 

1) Antes de palavra masculina (substantivos masculinos): 

Pintura a óleo.

Entrega a domicílio.

O “a” nesses exemplos é preposição.


2) Antes de verbo: 

Estava a dançar na pista. 

Passara a dedicar-se mais aos estudos.  

O “a” nesses exemplos é preposição.


3) Antes do artigo indefinido uma: 

Já assistiu a uma peça teatral? 

Pergunte a uma professora.

O “a” nesses exemplos é preposição (não é possível a estrutura prep. + artigo def. + artigo indefinido).


4) Antes de palavra no plural: 

Não vou a cerimônias públicas. 

Não vou a lojas em minha cidade.  

O “a” nesses exemplos é preposição (não é possível a estrutura prep. + artigo def. + artigo indefinido).


5) Antes de pronome pessoal e de tratamento: 

Este livro é dedicado a você. 

Quero demonstrar meu respeito a Vossa Senhoria.


Observações:

i. Há três pronomes de tratamento que aceitam o artigo e, obviamente, a crase: senhora, senhorita e dona.

Dirijo-me à senhora.

ii. Haverá crase antes dos pronomes que aceitarem o artigo, tais como: mesma, própria...

Eu me referi à mesma pessoa.


6) Antes de numeral cardinal (exceto para horas): 

A cidade fica a duas léguas do centro.



7) Antes de pronome demonstrativo, indefinido, relativo ou interrogativo: 

Ofereci minha atenção a esta moça, mas ela não quis. 

Ela é a única a quem devo explicações. 

Não direi nada a ti.


8) Antes de nome de lugar que não necessite de artigo: 

Voltarei a Roma em dezembro.  

Roma é uma cidade Linda. 

Voltarei à Bahia em dezembro. 

 A Bahia é um estado lindo.


Observação

Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do artigo "a". Outros, entretanto, admitem o artigo, de modo que diante deles haverá crase, desde que o termo regente exija a preposição "a".
Para saber se um nome de lugar admite ou não a anteposição do artigo feminino "a", deve-se substituir o termo regente por um verbo que peça a preposição "de" ou "em". A ocorrência da contração "da" ou "na" prova que esse nome de lugar aceita o artigo e, por isso, haverá crase. 

Exemplo: 

Vou à França. (Vim da França. Estou na França.)


9) Entre palavras repetidas: 

Estive cara a cara com ele.


Como saber se devo empregar a crase?

Há duas maneiras de verificar a existência de um artigo feminino "a" (s) ou de um pronome demonstrativo "a" (s) após uma preposição "a": 

1. Colocar um termo masculino no lugar do termo feminino em relação ao qual se está em dúvida. Se surgir a forma ao, ocorrerá crase antes do termo feminino.

Exemplos:

Conheço "a" aluna. / Conheço o aluno. 

Refiro-me ao aluno. / Refiro-me à aluna.


2- Trocar o termo regente acompanhado da preposição a por outro acompanhado de uma preposição diferente (para, em, de, por, sob, sobre). Se essas preposições não se contraírem com o artigo, ou seja, se não surgirem novas formas (na (s), da (s), pela (s),...), não haverá crase.

Exemplos: 

Penso na aluna. 

Apaixonei-me pela aluna.



REFERÊNCIAS:

PATROCÍNIO, Mauro Ferreira do. Aprender e praticar gramática: volume único. São Paulo: FTD, 2011.

ABAURRE, Maria Luiza M. Gramática: texto - análise e construção de sentido: volume único. 2ª. ed. – São Paulo: Moderna, 2010.

http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/crase.htm

http:// coladaweb.com/portugues/uso-da-crase-quando-ha-ou-nao-crase

http://.infoescola.com/portugues/crase/

https://leniomar.wordpress.com/dicas-de-gramatica/regras-da-utilizacao-da-crase/

http://portugues.uol.com.br/gramatica/o-uso-crase-.html

http://soportugues.com.br/secoes/sint/sint76.php

http://soumaisenem.com.br/redacao/lingua-e-linguagem/crase

http:// tudosobreconcursos.com/materiais/portugues/crase-regras