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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Plano de Aula para o uso do Novo Acordo Ortográfico


Tema da Aula: Perdendo o Medo do Novo Acordo Ortográfico  
Área de Conhecimento: Língua Portuguesa
Turma envolvida: Poderá ser trabalhada com qualquer turma, seja ela do Fundamental I, II e Médio (basta fazer as adequações adequadas a cada ano).
Tempo Estimado: Aproximadamente duas aulas

1. Conteúdo

O conteúdo que será explorado pelos alunos, ao longo das aulas, será o do conhecimento acerca do Novo Acordo Ortográfico.
Assim, a ênfase maior será no trabalho lúdico o qual será realizado juntamente com os alunos, a fim de que eles possam eternizar o tema proposto de forma mais satisfatória.

2. Objetivos

Nosso objetivo educacional, primordial, é o aluno. Assim, nossa principal função é que haja uma aprendizagem efetiva e duradoura, e para isso é preciso que existam propósitos definidos e auto atividade reflexiva dos mesmos. Sendo que a aula se torne prazerosa, envolvente e que o aprendizado seja internalizado pelo aluno.
Sabendo isso, a autêntica aprendizagem ocorrerá quando o aluno estiver interessado e se mostrar empenhado em aprender, enfim, quando estiver motivado. Desta forma, o professor deverá apresentar o tema da aula de forma dinâmica, pois é sabido que a motivação interior do aluno que impulsiona e vitaliza o ato de estudar, por fim, aprender.
Em suma, os objetivos desse plano de aula serão:

ü  Levar os alunos a pensarem o que significa de fato a palavra “ortografia” (etimologia) e sua importância.
ü  Entender o Novo Acordo Ortográfico e seus objetivos.
ü  Apontar as novidades introduzidas pelo acordo, sendo eles: no alfabeto; na acentuação; no emprego do hífen; o trema.
ü  Realizar um trabalho lúdico acerca do tema trabalhado neste plano de aula.

Assim, ao término deste plano de aula, os alunos serão capazes de perceberem o quão fascinante e empolgante pode ser nossa Língua Portuguesa, por conseguinte, nossa ortografia.

3. Recursos

Para a realização deste trabalho será utilizado os seguintes materiais:

ü  Sulfite;
ü  Grãos de Feijão;
ü  Saco plástico.

4. Etapas do Plano de Aula

Primeira Aula

a) Introdução ao Tema da Aula

Neste momento, o professor apresentará o tema aos alunos. Isso deverá ser feito de modo a causar curiosidade nos mesmos. Desta maneira, uma boa forma de contextualização do tema é chamar-lhes a atenção e fazê-los refletir sobre o tema apresentado: Perdendo o Medo do Novo Acordo Ortográfico.
O professor deverá apresentar, de forma clara e sucinta, questão sobre:

ü  O que significa a palavra “ortografia”?
ü  O que é o Novo Acordo Ortográfico?
ü  Quais as mudanças?

Em suma, eles não apenas terão explicações teóricas, mas verão realmente, na prática, o que mudou com esse novo acordo – o que para os alunos é bem mais empolgante.
  
b) Desenvolvimento da Aula

Comece a aula com algumas perguntas que irão instigar a curiosidade dos alunos, tais como:

ü  Quem sente medo só em pensar em “ortografia”, e pior, ao pensar na “nova ortografia”?

Deixe que eles pensem por uns instantes e parta para a próxima pergunta. Entretanto, o professor ainda não deverá responder a nenhuma destas perguntas.

ü  Vocês sabem o que significa a palavra ortografia? Sabem para que ela serve, afinal?

Mais uma vez eles vão pensar e vão dar suas respostas; apenas escute-as e não dê nenhuma dica. Prossiga com mais perguntas.

ü  Sabem porque “inventaram” esse tal Novo Acordo Ortográfico?

Aqui se fechará a rodada de perguntas e se iniciará as explicações a respeito do tema da aula. A seguir segue o texto que deverá ser apresentado e explicado pelo professor.

A palavra “ortografia”, nada mais é do que a junção, ou soma, de duas palavras de origem grega “orto” (ortw), com o significado de exato, direto, reto e “grafia” (que vem da palavra grega grafh) escrever; por fim, ortografia significa a ação de “escrever direito/exato”.
E falando de ortografia, podemos, depois de entender o significado desta palavra, entraremos no assunto do tema da aula sobre o Novo Acordo Ortográfico.
Enfim, o Acordo Ortográfico de 1990, assinado por oito países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), teve a sua implementação no Brasil assim escalonado: 2009 – vigência ainda não-obrigatória; entre 2010 e 2012 – adaptação completa dos livros didáticos às novas regras; a partir de 2013 – observância plena e geral dos termos do Acordo.
Desta maneiro, o Acordo tem como finalidade unificar a escrita do Português, simplificar as suas regras ortográficas e, com isso, aumentar o prestígio internacional da língua.
Com isso, o que basicamente mudou com o Acordo é, sobretudo, a maneira de acentuar algumas palavras, grafar outras, o desuso do trema, o emprego do hífen e a reintrodução das letras “K, W e Y” ao alfabeto.

ü  Quanto à acentuação:

O que Muda
O que permanece igual
Trema:

Não se usa mais o trema na letra “u”, para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos “gue, gui, que e qui”, tais como: aguentar, frequência, linguiça, etc.

O trema permanece nas palavras estrangeiras e em suas derivadas, como por exemplo: Müller, mülleriano, Bündchen, etc.
Ditongos abertos “EI” e “OI” de palavras paroxítonas

Os acentos, nesses casos, entraram em desuso, tais como: ideia, apoia, etc.  

Porém, continuam a ser acentuados os monossílabos e as palavras oxítonas terminadas em “ÉIS, ÉU(S), ÓI(S)”, como podemos ver em: réis, céu, papéis, herói, etc.
 “I” e “U” tônicos depois de ditongos em palavras paroxítonas

Não se acentuam mais “I” e “U”  tônicos que aparecem depois de um ditongo em palavras paroxítonas, como: baiuca, feiura, etc.

Entretanto, continuam a ser acentuadas as oxítonas com “I” e “U” na posição final depois de um ditongo; exemplo: Piauí, tuiuiú.



Lembrete: Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas, tais como: metáfora, neurótica,lágrima, etc.

Palavras terminadas em “EEM” e “OO(S)”

Não se usa mais o acento circunflexo, tais como nos casos a seguir: leem, creem, doo, enjoo, voos.


Acento diferencial

Não se usa mais o acento diferencial em membros de alguns pares: para, pela, pelo, polo, pera, forma (opcional, para conferir clareza à frase).

Contudo, permanece o acento diferencial nos pares: pôde/pode; pôr/por; têm/tem; vêm  /vem. Derivados de “ter” e “vir” (mantém/ mantêm; convém /convêm; detém/detêm).
 Presente do indicativo e do subjuntivo de “arguir” e “redarguir”

Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas rizotônicas do presente do indicativo e do subjuntivo, tais como: arguo, arguis, argui, arguem, argua, arguas, argua, arguam.



ü  Quanto ao emprego do hífen:

Caso
Usa-se hífen
Não se usa hífen

1. Geral
Diante da letra “h”:
anti-higiênico, sub-humano, super-homem.
Com os prefixos “des” e “in” quando o segundo elemento perde o “h”, como em: desumano, inábil.









2. Prefixos terminados em vogal
Diante da mesma vogal:
contra-ataque, micro-ondas,
anti-inflamatório,
semi-interno.
Diante de vogal diferente:
autoescola, antiaéreo;

Diante de consoante diferente de r e s:
anteprojeto, semicírculo;

Diante de r e s: dobram-se essas letras:
antirracismo, antissocial,
ultrassom, antessala.

2.1. Prefixos “pré”, “pró”, “sota”, “soto” e “vice”
Diante de palavra iniciada por qualquer letra:
pré-vestibular, pró-europeu,
sota-capitão, soto-mestre,
vice-rei, vice-almirante.


2.2. Prefixos “co”

Aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por “o”:
coobrigação, coordenar, cooperar, cooptar.

2.3. Prefixo “re”

Aglutina-se com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por “e”:
reeditar, reescrever, reencarnar

3. Prefixo terminado em consoante
Diante de mesma consoante:
inter-regional, super-realista.
Diante de consoante diferente:
intermunicipal, supersônico;

Diante de vogal:
interestadual, superinteressante.

3.1. Prefixo “sub”
Diante de palavra iniciada por “b” ou “r”:
sub-base, sub-raça, sub-região.
Subalimentação, subchefe, subdividido, subprefeitura, subsalário, subunidade.

3.2. Prefixos “circum” e “pan”
Diante de palavra iniciada por m, n e vogal:
circum-navegação,
pan-americano.
Circuncentro, circungirar, circumpolar, circunvizinhança.

3.3. Prefixo “ad”
Diante de palavra iniciada por “d” ou “r”:
ad-digital, ad-renal.
Adjunto, adjunta.

3.4. Prefixos
“ex”, “sem”,
“além”,
“aquém”,
“recém” e “pós”
Diante de palavra iniciada por qualquer letra:
ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação.


4. Sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como “açu”, “guaçu” e “mirim”
Quando o primeiro elemento termina por vogal acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a distinção gráfica dos dois elementos:
amoré-guaçu, anajá-mirim,
capim-açu, Ceará-Mirim.


5. Palavras sentidas como unidades

Quando se perdeu a noção de composição da palavra:
girassol, madressilva,
mandachuva, pontapé,
paraquedas, paraquedista

  
Segunda Aula

a) Atividade com os Alunos

Esta aula será toda dedicada às atividades lúdicas para serem fixadas as regras aprendidas na aula anterior.
Neste momento o professor entregará as fichas do “Bingo Ortográfico” e explicará as regras, que são as seguintes:

ü  Os alunos receberam uma cartela, juntamente com grãos de feijão e fichas explicativas (estas fichas possuirão escritas as regras aprendidas na aula anterior).
ü  Em seguida, o professor, com a ajuda de outro aluno, sorteará as palavras e este aluno a escreverá na lousa.
ü  O aluno que tiver esta palavra em sua cartela colocará um feijão por cima da palavra e lerá a regra que estão nas fichas.
ü  Caso mais de um aluno possua a mesma palavra, só valerá quem for o primeiro a encontrar a regra que se enquadra na palavra e a ler em voz alta.
ü  Vence a competição quem cobrir todas as palavras com feijão.

5. Avaliação

De acordo com o RCNEI (1998, p. 157):


[..] a avaliação é um importante instrumento para que o professor possa obter o processo de aprendizagem de cada criança, reorientar sua prática e elaborar seu planejamento, propondo situações capazes de gerar novos avanços na aprendizagem das crianças.


Mesmo este sendo um trabalho realizado com o Ensino Fundamental II, podemos ressaltar tal verdade para a aplicação da avaliação no trabalho ao qual realizamos.
Entendemos, por avaliação que: como ato dinâmico que qualifica e oferece subsídios ao plano de aula, além de imprimir uma direção às ações dos educadores e dos educandos.
Contudo, podemos dizer que a avaliação não pode ser um instrumento de exclusão dos alunos, mas sim, favorecer o desenvolvimento da capacidade do aluno de apropriar-se dos conhecimentos científicos, sociais e tecnológicos produzidos historicamente e deve ser resultante de um processo coletivo de avaliação diagnóstica.
Devemos acompanhar as atividades e avaliá-las – tal procedimento nos levará à reflexão. Concluímos que a avaliação – parte da necessidade de se conhecer a realidade escolar – busca explicar e compreender criticamente as causas da existência dos problemas, bem como suas relações e suas mudanças, se assim nos esforçarmos para propor ações alternativas.
Entendemo-la da seguinte maneira, sendo esta avaliação contínua, em que todos os exercícios realizados em aula, além da participação do aluno em classe.
Assim, é de suma importância que o professor a realize com atenção, fazendo anotações, se necessário. Isso deve ocorrer, desde a apresentação do tema, durante as perguntas feitas pelo professor, ou aluno, suas respectivas respostas, até a finalização da explicação e realização das tarefas pertinentes ao tema abordado durante as aulas.
Por fim, o professor perceberá que, o aluno entenderá tão maravilhoso é trabalhar com a ortografia, e, assim, será quebrado um paradigma de que a matéria de Língua Portuguesa só possui temas chatos. O lúdico, com isso, será trabalhado de igual forma, tornando a aula ainda mais atraente aos alunos.

6. Referência e Fonte



Tabela de Acentuação Gráfica (Novo Acordo Ortográfico). Tabelas Objetivo, número 1. 


Exemplos para a confecção de cartelas para o Bingo Ortográfico


ex-aluno
girassol
capim-açu
ex-aluno
enjoo
pré-vestibular
autoescola
abóbora
ideia
mágico
Piauí
desumano
super-homem
apoia
Müller
aguentar



linguiça
ideia
mágico
Piauí
pré-vestibular
papéis
herói
têm/tem
Bündchen
leem
fenômeno
pontapé
pan-americano
ultrassom
paraquedas
apoia