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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Análise do discurso





Algumas reflexões

• Estudos de viés enunciativo-discursivo: consideram a língua em sua relação com a história, com a sociedade, com seus diferentes usos e apropriações.
• A AD surge na década de 60, na França, como uma teoria da leitura. Para esta disciplina, é importante que sejam considerados os sujeitos, suas inscrições na história e as condições de produção da linguagem.
• Duas maneiras de pensar a teoria do discurso: 1. como extensão da lingüística, aplicada á perspectiva teórica americana (Harris); 2. tendência européia = vai recorrer a conceitos outros que não só os do domínio de uma lingüística imanente, que possam dar conta do discurso e das condições de produção desse discurso; da relação entre o interior do discurso e sua exterioridade; entre a linguagem e a vida.
• 1ª geração da análise do discurso: (década de 60). Panorama de transformação na década de 70 (segunda geração), ligada às teorias enunciativas (Maingueneau) e com as idéias de Bakhtin: a concepção de linguagem como interação social, em que o Outro desempenha papel fundamental na constituição do significado.
• Estudar o discurso é assinalar as inscrições ideológicas contraditórias que coexistem nas diferenças sociais, inscritas na produção discursiva dos sujeitos, na materialidade discursiva.
• “a palavra discurso, etimologicamente, tem em si a idéia de curso, de percurso, de correr por, de movimento”. Os discursos se movem em direção a outros. Nunca está só, sempre está atravessado por vozes que o antecederam e que mantêm com ele constante duelo, ora o legitimando, ora o confrontando. A formação de um discurso está baseada nesse princípio constitutivo – o dialogismo. Os discursos vêm ao mundo povoado por outros discursos, com os quais dialogam. Esses discursos podem estar dispersos pelo tempo e pelo espaço, mas se unem por que são atravessadas por uma mesma regra de aparição: uma mesma escolha temática, mesmos conceitos, objetos, modalidades ou um acontecimento. Por isso que o discurso é uma unidade na dispersão.
O discurso é o caminho de uma contradição a outra: se dá lugar às que vemos, é que obedecem à que oculta. Analisar o discurso é fazer com que desapareçam e reapareçam as contradições, é mostrar o jogo que nele elas desempenham; é manifestar como ele pode exprimi-las, dar-lhes corpo, ou emprestar-lhes uma fugidia aparência”.
• Discurso = “materializa o contato entre o ideológico e o lingüístico no sentido de que ele representa no interior da língua os efeitos das contradições ideológicas”.
• Discurso = objeto cultural, produzido a partir de certas condicionantes históricas, em relação dialógica com outros textos.
• Mikhail Bakhtin: discurso como ponto de articulação entre os fenômenos lingüísticos e os sóciohistóricos.
• Ilusão humana: “O homem é senhor de seu discurso”.
• A linguagem é o lugar em que a ideologia se manifesta. É discurso: articulação dos processos ideológicos e dos fenômenos lingüísticos; produção humana e social.
• Linguagem é o lugar de interação humana: “lugar de conflito, de confronto ideológico, não podendo ser estudada fora da sociedade uma vez que os processos que a constituem são histórico-sociais”.
• Língua = constitui a condição de possibilidade do discurso. Lugar material em que se realizam os efeitos de sentido no discurso.
• AD desenvolve seus estudos sobre as visões de mundo inscritas no discurso:
a) disciplina em constante construção;
b) propõe-se a realizar leituras críticas sem reduzir discurso a análises puramente lingüísticas ou somente em um trabalho histórico sobre a ideologia;
c) trabalha com o nível lingüístico, o discursivo e o ideológico-cultural;
d) busca aflorar as contradições na materialidade lingüística do discurso;
e) nasce sob o “manto” do estruturalismo em torno da reflexão e articulação da lingüística, do marxismo e da psicanálise.
f) descentramento do sujeito; este atravessado por uma teoria da subjetividade de natureza psicanalítica. Ele perde sua centralidade ao passar a integrar o funcionamento dos enunciados.
g) o discurso é uma prática, uma ação do sujeito sobre o mundo. Por isso, sua aparição deve ser contextualizada como um acontecimento, pois funda uma interpretação e constrói uma vontade de verdade. Quando pronunciamos um discurso agimos sobre o mundo, marcamos uma posição - ora selecionando sentidos, ora excluindo-os no processo interlocutório.

h) A unidade do discurso é um efeito de sentido.
i) Formação discursiva; condições de produção e formação ideológica: compõem a base para a análise de discurso.
• Formação discursiva = lugar específico da constituição dos sentidos. Lugar central da articulação entre língua e discurso.
• Formações discursivas de Michel Foucault: “conjunto de regras anônimas, históricas, sempre determinadas no tempo e no espaço que definiram uma época dada e para uma área social, econômica, geográfica ou lingüística dada, a condições de exercício da função enunciativa”.
• Condições de produção = “contexto social que envolve um ‘corpus’, isto é, um conjunto de fatores entre os quais são selecionados previamente os elementos que permitem descrever uma conjuntura”.
• Formação ideológica = “constitui um conjunto complexo de atitudes e representações que não são nem individuais nem universais, mas se reportam, mais ou menos diretamente, às posições de classe em conflito umas com as outras”.
j) “É com o já dito que tecemos a trama do discurso. A noção de subjetividade incorpora o Outro como constitutivo do sujeito e a concepção da linguagem, portanto, não é mais aquela que resulta da homogeneidade, produção de um sujeito uno, origem e fonte do sentido. A heterogeneidade manifesta-se na própria superfície discursiva através de formas marcadas – implícitas ou explícitas – na materialidade lingüística do texto”.
• Michel Pêcheux: não há sujeitos individuais no discurso, há “formas-sujeito”, ou seja, um ajustamento do sujeito à ideologia.
1) idealizador da escola francesa da AD. Articulação de três regiões do conhecimento científico: a) materialismo histórico; b) lingüística; c) teoria do discurso. Regiões atravessadas por uma teoria da subjetividade, de natureza psicanalítica, em que uma das questões centrais é a leitura.
2. AD tem como objeto a análise não subjetiva do sentido, passando por uma de análise lingüística. “O desafio é o de construir interpretações, sem jamais neutralizá-las, seja através de uma minúcia qualquer de um discurso sobre um discurso, seja no espaço lógico estabilizado com pretensão universal”.
3. “falar em discurso é falar em condições de produção (...) que são formações imaginárias, e nessas formações contam a relação de forças (os lugares sociais dos interlocutores e sua posição relativa no discurso), a relação de sentido (o coro de vozes, a intertextualidade, a relação que existe entre um discurso e os outros), a antecipação (a maneira como o locutor representa as representações de seu interlocutor e vice-versa)”.
• Para Maingueneau, o discurso é “uma dispersão de textos cujo modo de inscrição histórica permite definir como um espaço de regularidades enunciativas”.
• Foucault diz “Chamaremos discurso um conjunto de enunciados na medida em que se apóia na mesma formação discursiva... ele é constituído de um número limitado de enunciados para os quais podemos definir um conjunto de condições de existência”.

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