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domingo, 10 de agosto de 2014

Interpretação de Textos: Ensino Médio - O Anel



Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem-me que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor sem olhá-lo, disse:
- Sinto muito meu jovem, mas não posso te ajudar, devo primeiro resolver meu próprio problema. Talvez depois.
E fazendo uma pausa falou:
 - Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois talvez possa te ajudar.
 - C...Claro, professor - gaguejou o jovem. Mas se sentiu outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar seu professor.
 O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno e deu ao garoto e disse:
 - Monte no cavalo e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.
O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores.  
Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele.
Só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.
Depois de oferecer a jóia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor e assim podendo receber ajuda e conselhos.
Entrou na casa e disse:
 - Professor, sinto muito, mas foi impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.
- Importante, meu jovem - contestou o professor sorridente - devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro.
Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dá por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda. Volte aqui com meu anel.
O jovem foi até o joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse:
- Diga ao seu professor, se ele quer vender agora, que não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.
- 58 MOEDAS DE OURO!!! - exclamou o jovem.
- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...
O jovem correu emocionado até a casa do professor para contar o que ocorreu.
 - Senta - disse o professor. E depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou disse:
- Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um expert. Pensava que qualquer um poderia descobrir o seu verdadeiro valor??? E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.            
 - Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.

 Autor Desconhecido  

Exercícios

1-    Escreva a mensagem principal do texto (cinco linhas no máximo);

2-    Retome a leitura até o sexto parágrafo. Neste trecho, o professor começa a solucionar o problema do aluno. O que nos permite fazer esta afirmação?

3-    Continue a leitura, do parágrafo 7° ao 12°. Que sentimentos afloraram no rapaz, por não ter conseguido atender às expectativas do professor?

4-    Pela leitura efetuada até o parágrafo 15, algumas características do rapaz estão implícitas no texto. Cite pelo menos três delas.

Respostas

1. A mensagem principal do texto, passado pelo professor ao aluno, é que muitas das vezes nos não nos valorizamos como pessoa, na área profissional, amorosa, nos relacionamentos familiares, ao até na roda de amigos. Desejamos que outros digam “quem somos” e nos dê o valor que, primeiramente, deveríamos nós mesmos nos dar. Devemos, antes de tudo, valorizarmo-nos e, assim, conhecermo-nos. Só seremos valorizados pelos outros se assim, de igual forma, formos, antes, por nós mesmos.

2. O professor, ao perceber que o problema do aluno se dava por ele mesmo se achar conforme os outros diziam, pediu-lhe um favor, e se o mesmo fosse feito, após o ajudaria com o seu. Ao pedir tal favor ao aluno, começaria, então, uma lição que ele entenderia mais a frente, sendo a solução de seu próprio problema.

3. Afloram no rapaz o sentimento de que ele é realmente importante, esperto, sentimento de dever cumprido, de superioridade, sendo capaz de realizar feitos e, caindo por terra tudo aquilo que antes era verdade para ele- que era lerdo e que não servia para nada, de que não fazia nada bem e de que era muito idiota.

4.  A primeira característica notada no rapaz é que ele tinha uma personalidade fraca, e deixava se levar pela opinião dos outros, em relação a sua conduta e seus valores. A segunda é que ele mesmo não se valorizava. Terceira característica encontrada é que ele mesmo não se conhecia.


                


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