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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Morfossintaxe



Tire suas dúvidas sobre Gramática Normativa e Descritiva


1. Conceitue gramática descritiva ou sincrônica.


Resposta: A Gramática descritiva ou sincrônica é o estudo do mecanismo pelo qual uma dada língua funciona, num dado momento (Gr. Syn- “reunião”. Chrónos- “tempo”), como meio de comunicação entre os falantes, e na análise da estrutura, ou configuração formal, que nesse momento a caracteriza.
Quando se emprega a expressão gramática descritiva, ou sincrônica, sem outro qualitativo a mais, entende-se tal estudo e análise como referente ao momento atual, ou presente, em que é feito a Gramática.


2. Qual o limite da gramática normativa?

Resposta: A gramática normativa se detém às regras gramaticais. Isso denuncia que o não-domínio dessa norma é determinante para a baixa qualidade dos textos. Denuncia também a importância atribuída ao seguimento das regras prescritas pela gramática normativa em um texto.
Contudo, a escola vê na gramática normativa o único caminho para o ensino de Português, uma vez que reconhece nas regras apresentadas pela gramática normativa a norma padrão. Em contraposição, optaríamos no ensino de uma gramática descritiva, ao invés a citada anteriormente.
Segundo estudos de Travaglia (2003, p.30), Gramática normativa:

“... é aquela que estuda apenas os fatos da língua padrão, da norma culta de uma língua, norma essa que se tornou oficial. Baseia-se, em geral, mais nos fatos da língua escrita e dá pouca importância à variedade oral da norma culta, que é vista, conscientemente ou não, como idêntica à escrita. Ao lado da descrição da norma ou variedade culta da língua (análise de estruturas, uma classificação de formas morfológicas e lexicais), a gramática normativa apresenta e dita normas de bem falar e escrever, normas para a correta utilização oral e escrita do idioma, prescreve o que se deve e o que não se deve usar na língua. Essa gramática considera apenas uma variedade da língua como sendo a língua verdadeira.”

Esse conjunto de regras configura-se como uma espécie de lei que regula o bom uso da língua em uma sociedade, considerando-se “erros” as outras possibilidades existentes nas demais variedades da língua, conforme aponta Travaglia (2002, p.30).


3. Pode-se buscar todas as explicações na linguística história ou diacrônica? Explique:

Resposta: Jamais devemos generalizar algo e, como foi escrito acima, percebemos que há uma generalização se dizermos que se pode buscar todas as explicações na linguística histórica ou sincrônica.
Como é sabido a linguística histórica, dominante no século XIX, tem por objetivo classificar as línguas do mundo de acordo com suas afiliações e descrever o seu desenvolvimento histórico.
Pode-se, assim, concluir que não podemos buscar todas as explicações na linguística histórica, por causa das variações da língua.


4. Pode ser considerada certa ou errada a frase a seguir:
“A norma não pode ser uniforme e rígida”. Justifique.

Resposta: Consideramos a frase correta, pois com o fortalecimento das teorias linguísticas modernas, vários problemas relacionados à abordagem normativa, incluídos aí aqueles de natureza extralinguística, foram trazidos à tona e, com isso, a língua passou a ser discutida à luz de uma atitude menos dogmática e mais realista. Veja-se, por exemplo, a lição de Joaquim Mattoso Camara Jr., um dos principais nomes dos estudos linguísticos no Brasil:

[...] a norma não pode ser uniforme e rígida. Ela é elástica e contingente, de acordo com cada situação social específica. O professor não fala em casa como na aula e muito menos numa conferência. O deputado não fala na rua, ao se encontrar com um amigo, como falaria numa sessão da Câmara.

[...] Partem do princípio insustentável de que a norma tem que ser sempre a mesma, e fixam um padrão social altamente formalizado como sendo o que convém sempre dizer. (CAMARA, 2002, p. 16)


5. Qual é a melhor solução para o professor de Língua Portuguesa e os Homens em geral não entrarem em atrito entre si?

Resposta: Acreditamos que a melhor solução é ambos se respeitarem, pois onde há o mesmo tudo flui melhor. Porque sabemos, e já fora citado, a língua, assim como a norma não podem ser uniforme e rígida. De igual forma o professor não usará de palavras cultas e difícil entendimento em sua casa, o que ao contrário na escola ocorre. Saber adequar a língua ao ouvinte é uma forma de respeitá-lo, ou seja, não iremos à feira-livre e usaremos termos como, por exemplo: por obséquio, quanto custa o quilo da batata? Mas sim, devemos adaptá-la para que melhor sejamos entendidos.
Bakhtin (1986, p.113) descreve a linguagem sob a perspectiva de “ponte lançada entre o homem e o outro homem”. Segundo ele, é através da palavra que a pessoa se define em relação ao outro e à coletividade, pois esta é o modo mais sensível e puro de relação social, de forma que:

“As palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais em todos os domínios. É, portanto, claro que a palavra será sempre o indicador mais sensível de todas as transformações sociais, mesmo daquelas que apenas despontam, que ainda não abriram caminho para sistemas ideológicos estruturados e bem formados.”


6. Qual é a crítica que podemos fazer em relação à gramática descritiva?

Resposta: Entendemos por gramática descritiva um conjunto de regras que são seguidas, busca pelas regularidades da língua: assemelha à lei da natureza.
A Gramática descritiva trata de explicar então, o mecanismo da língua, construindo hipóteses que explicam o seu funcionamento. Nessa concepção, saber gramática significa ser capaz de distinguir, nas expressões de uma língua: as categorias, as funções e as relações que entram em sua construção, descrevendo com elas sua estrutura interna e avaliando suas regularidades.
A mesma se opõe a gramática normativa. Explica, enumera e classifica a estrutura das frases, dos morfemas que formam as frases, dos fonemas que constituem os morfemas e das regras de combinação dessas unidades. Trata-se de um trabalho de definição, interpretação e não de julgamento ou legislação.


7. Por que é importante estudar a língua do ponto de vista morfológico?

Resposta: Há um princípio linguístico universal que afirma “nada na língua funciona sozinho”. Para que todas essas unidades linguísticas a que nos referimos passem efetivamente a exercer qualquer função significativa ou comunicativa é necessário sempre que se organizem ao menos em duas unidades. Assim, é preciso que se junte um radical (o lexema “puro” livr-, por exemplo) a uma desinência (um gramema dependente, como –o) para que tenhamos um vocábulo autônomo (livro), ou que forme um sintagma nominal – o seu livro – (a partir de um artigo e/ou um pronome possessivo e de um núcleo substantivo). Até mesmo um texto não se constitui se não se aliar ao menos um signo linguístico a um contexto, e assim por diante.

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