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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Filosofia da ciência - Rubem Alves






À Procura da Ordem

Este texto, de Rubem Alves, abrange os difíceis caminhos da Filosofia da Ciência, porém não é uma leitura só para cientista, mas sim, deveria ser lida pelas “pessoas comuns”, para que possam entender as idéias pré-concebidas sobre a ciência e os cientistas, que muitas vezes são equivocadas, pois, como diz o autor: “Todo mito é perigoso, porque induz o comportamento e inibe pensamento”.
Rubem Alves faz um alerta para a necessidade de se desmistificar o cientista, considerado superior, por si, apela grande maioria das pessoas comuns, dados ao seu trabalho em busca da verdade, do conhecimento e do desenvolvimento da ciência.
Aborda, no capítulo três, que não importam as diferenças que separam o senso comum da ciência, porque ambas estão em busca da mesma coisa: ordem.
O autor diz que não importam as diferenças que separam o senso comum da ciência, mas que ambos estão em busca da ordem, exigência do homem, cientista ou não, “não existe vida sem ordem, nem comportamento inteligente sem ela”.
Em se tratando de ciência, o estabelecimento da ordem se dá por meio de método, cujo sistema pretende isolar o cientista da influência de subjetividades que possam corromper o “conhecimento objetivo da realidade”.
Relata que, para entendermos esta busca por ordem, temos de sair dos domínios da filosofia da ciência e entrar no mundo fascinante do comportamento dos organismos e das pessoas. Só assim descobrimos que a exigência de ordem se fundamenta na própria necessidade de sobrevivência. Não existe vida sem ordem nem comportamento inteligente sem ela. Com isso, notamos que a inspiração mais profunda da ciência não é um privilégio dos cientistas, porque a exigência da ordem se encontra presente mesmo nos níveis mais primitivos da vida. Mesmo, ambas, apresentando visões de ordem muito diferentes uma da outra.
De tal forma, podemos dizer que o mundo humano se organiza em torno de desejos, tendo aí o ponto central de nossa grandeza e miséria. Entendemos isto, pois é do desejo que surge a música, a literatura, a pintura, a religião, a ciência e tudo o que se poderia denominar criatividade. Mas é também do desejo que surgem as ilusões e os preconceitos. Esta é a razão por que a ciência, desde os seus primórdios, tratou de inventar métodos para impedir que os desejos corrompessem o conhecimento objetivo da realidade.
Rubens Alves fortalece a idéia de que a ciência parte da necessidade de solução para um determinado problema, sendo a teoria ou hipótese do trabalho o produto final. Assim, entendendo-se a teoria como algo continuamente passível de teste, os fatos objeto do trabalho científico são restritos àqueles decisivos para a confirmação ou negação das soluções que buscam a adaptação do ser humano às revoluções da humanidade.
Para desenvolver o pensamento científico é preciso saber solucionar problemas. Enxergar além dele, ter em vista um objetivo bem definido a ser alcançado. Também é preciso ter imaginação para levantar hipóteses porque quem mantém os dois pés sempre no chão não sai do lugar.
Podemos assim dizer que, a separação entre ordem científica e ordem do senso comum se dá através de uma divergência entre opiniões; já que os esquemas do senso comum são absurdos (religião, milagres, astrologia, magia), enquanto isto não acontece com a ciência, que procura respostas mais exatas e precisas – sendo esta um caçador do invisível. Como relatou o autor: “O místico crê num Deus desconhecido. O pensador e o cientista crêem numa ordem desconhecida”. Não querendo afirmar a idéia de que religião é ciência nem que ciência é religião. Mas sim, ao contrário, sugerindo que em ambos os casos os indivíduos estão em busca de ordem e que todos eles, independentemente de convicções pessoais, concordam em que a ordem é invisível. A busca que os tornam parecidos.
Assim, em poucas palavras, podemos dizer que a ciência se inicia com problemas – o qual significa que há algo errado ou não resolvido com os fatos. Tendo, então, como objetivo a descoberta de uma ordem invisível que transforme os fatos de enigma em conhecimento. Então, segundo o autor, estamos brincando de “faz-de-conta”. Fazemos de conta, para efeitos práticos, que um modelo é verdadeiro. Mas, na realidade, não temos nunca forma de dizer quando é que temos a verdade em nossas mãos.
Rubem Alves resume sua idéia de método científico assim: Primeiro, devemos nos defrontar com um problema, um enigma que nos intriga. Depois que já dominado intelectualmente (conhecendo) uma experiência familiar que se imagina; análoga à estrutura do problema. Esta será nossa hipótese de trabalho – o palpite que vai orientar nossa investigação. Mas, sabendo que para o mesmo não há garantia alguma de que tal pressuposição seja válida. Depois de feito isto, devemos fazer uma pesquisa – experimentação.

Por conseguinte, podemos concluir após a leitura deste capítulo que o autor consegue fazer com que o leitor, por meio de exemplos práticos, entenda de maneira simplista o conceito de ciências e senso comum, aliás, o autor conclui que se “a ciência não pode encontrar sua legitimação ao lado do conhecimento, talvez ela pudesse fazer a experiência de tentar encontrar seu sentido ao lado da bondade. Ela poderia, por um pouco, abandonar a obsessão com a verdade e se perguntar sobre seu impacto sobre a vida das pessoas: a preservação da natureza, a saúde dos pobres, a produção de alimentos, o desarmamento dos dragões, a liberdade, enfim, essa coisa indefinível que se chama felicidade”.

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