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sábado, 2 de julho de 2011

Literatura: Poema "Canção do exílio" - Gonçalves Dias (ensino médio)




"Canção do exílio" é um poema de Gonçalves Dias que exalta a natureza brasileira com muita emoção e com a saudade de alguém que está fora de seu país e só pensa na volta para a terra amada.
Escrito em 1843, o poema deste poeta maranhense, principal representante da 1a geração do Romantismo no Brasil, mostra uma constante oposição entre Brasil e Portugal. Essa era uma época em que se vivia um forte nacionalismo, já que o Brasil tornara-se a pouco independente de Portugal, país que chega a ser retratado com certa aversão no poema.
Para entender todo esse contexto, fizemos uma análise da estrutura da poesia de Dias. Primeiro procuramos localizar geograficamente os advérbios lá e cá. Observamos também o ritmo e a musicalidade oferecidos pela rima (lá, cá, sabiá). A repetição do verso "onde canta o Sabiá" funciona como refrão. Apesar de ser um texto que exalta a pátria, não existem adjetivos qualificativos na poesia.
Com isso, pode-se concluir que a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, é dotada de uma contenção própria que se revela, aos olhos do leitor atento, pela ausência de qualquer adjetivo. Assim, o problema que se coloca é o de mapear as relações internas que vicejam do poema e que, ao suscitarem o desejo de individuação nacional, se remetem, através da metáfora da natureza tropical, à figura imagética do paraíso terreal.
Outro aspecto observado diz respeito à segunda estrofe do poema que lembra o Hino Nacional:

No poema:
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossas flores têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

No Hino:
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida, no teu seio, mais amores.


Mas vale lembrar que o Hino Nacional (1909) foi escrito depois que Gonçalves Dias criou seu poema (1843).
No Hino Nacional também temos um trecho que nos faz lembrar do poema. A isso damos o nome de intertextualidade, ou seja, ao diálogo que um texto faz com outro.
Muitos autores já estudaram esse fenômeno. A primeira a nomeá-lo foi Julia Kristeva (1974), que afirma que qualquer texto se constrói como um mosaico de citações e é a absorção e transformação de um outro texto. Antes dela, outros estudiosos já haviam percebido a existência desse diálogo entre textos.
Isso tudo quer dizer que existe sempre um texto-base que serve de partida para a produção de outros textos. Esses novos textos podem resultar numa imitação, podem ser paródias, polêmicas ou, até mesmo, um repensar do tema sob uma outra perspectiva. E o sentido do poema mais recente estará exatamente no diálogo entre os dois.
"Canção do exílio" é um poema que se tornou bastante popular e motivou vários outros textos (como o de Drummond aí acima). Casimiro de Abreu, Oswald de Andrade, Murilo Mendes, Mário Quintana, Chico Buarque e Tom Jobim, José Paulo Paes, entre outros tantos, produziram desde imitações até reorganizações temáticas profundas desse poema. A recriação que mais chamou a atenção dos estudantes foi a de J. Paulo Paes.

"Canção do exílio facilitada":

lá?
ah!

sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...

cá?
bah!

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