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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Linguagem Verbal

Existem várias formas de comunicação. Quando o homem se utiliza da palavra, ou seja, da linguagem oral ou escrita, dizemos que ele está utilizando uma linguagem verbal, pois o código usado é a palavra. Tal código está presente, quando falamos com alguém, quando lemos, quando escrevemos. A linguagem verbal é a forma de comunicação mais presente em nosso cotidiano. Mediante a palavra falada ou escrita, expomos aos outros as nossas idéias e pensamentos, comunicando-nos por meio desse código verbal imprescindível em nossas vidas. Ela está presente em textos e propagandas:



 em reportagens (jornais, revistas, etc.);
 em obras literárias e científicas;
 na comunicação entre as pessoas;
 em discursos (Presidente da República, representantes de classe, candidatos a cargos públicos, etc.);
 e em várias outras situações.





O termo "verbal" tem origem no latim "verbale", proveniente de "verbu", que quer dizer palavra. Linguagem verbal é, portanto, aquela que utiliza palavras - o signo linguístico - na comunicação.



A linguagem verbal tem duas modalidades: a língua escrita e a língua oral. Linguagem oral é a que se usa quando o interlocutor está frente a frente conosco e justamente podemos falar com ele. Já a escrita, em tese, é usada quando o interlocutor está ausente. Entre a linguagem oral e a escrita há muitas diferenças, mas não uma oposição rígida.
Na linguagem oral, o ambiente é comum a ambos os falantes. Por isso, quando usam "eu", "aqui", "hoje", não precisam explicitar do que se trata. Além disso, os gestos, expressões faciais, altura do tom da voz, contribuem para a clareza da comunicação. Nesse sentido, a linguagem oral usa recursos diferentes daqueles usados na linguagem escrita. Veja a frase "João comeu o bolo". Podemos dizê-la:

1) Colocando ênfase na palavra João, em João comeu o bolo. Então, essa frase poderia estar respondendo a uma pergunta como "Quem comeu o bolo?".

2) Falando de maneira mais forte a palavra comeu, em João comeu o bolo. Nesse caso, poderíamos estar respondendo a algo como "Que fez João?".

3) Colocando o acento na expressão o bolo, em João comeu o bolo, o que poderia ser a resposta de "O que comeu João?".

Recursos da escrita

Na linguagem escrita, precisamos explicitar quase tudo que queremos que o nosso interlocutor entenda. A frase acima precisaria vir acompanhada de uma informação a respeito do ambiente onde se encontram João e o bolo (uma festa, o trabalho, a cozinha etc..), explicitação de quem participa do diálogo, introdução de um verbo dicendi (fulano/a falou, disse, perguntou, gritou, murmurou, cochichou, berrou, por exemplo), o sinal gráfico que indica a introdução da fala de alguém: o travessão ou aspas.
Mas nem por isso a escrita é mais complexa e a fala mais simples. O grau de formalidade no uso da linguagem oral depende do ambiente em que se encontra o falante, do objetivo a atingir, de quem são os ouvintes.
Há situações que exigem falas elaboradas, isto é, com vocabulário e organização mais próxima da escrita, mas na maior parte do tempo nós usamos a chamada linguagem coloquial, a linguagem do dia-a-dia. Por outro lado, há situações em que convém o uso de uma escrita mais pessoal, como no caso de um bilhete ou em uma lista, como há ocasiões, precisamos organizar um texto formal, de acordo com a norma culta da língua.



A escrita alfabética

Em linhas gerais, o alfabeto é um sistema de sinais, as letras, que representam os sons da fala. A palavra vem do latim alphabetum, formada por duas outras palavras alpha e beta, as duas primeiras letras do alfabeto grego.
Sabe-se que o alfabeto grego veio de adaptação da escrita dos fenícios. Os estudos da escrita antiga são realizados geralmente a partir de inscrições de vasos e outros objetos, encontrados por arqueólogos. No caso da cultura grega, existem inscrições em cerâmicas no século 8 a.C.




O uso da escrita marcou a civilização moderna, principalmente a partir da invenção da imprensa, por volta de 1450, por Gutemberg, que pelo uso das letras móveis tornou possível a reprodução rápida de textos escritos, anteriormente copiados à mão. Como consequência, a civilização moderna pôde se organizar em torno da transmissão da informação pela escrita: jornais, revistas, livros...



Associar a imagem acima ao título do texto é uma forma bem humorada de chamar atenção para algo que todos nós vivenciamos, mas não paramos para analisar.
No nosso dia-a-dia estamos em constante diálogo, seja com outras pessoas ou até individualmente, com nossos botões. Porém, a parte mais interessante disso tudo é que nem sempre precisamos falar para manter uma comunicação com alguém, até mesmo uma troca de olhares ou um sorriso no canto dos lábios podem dizer muita coisa.
O texto, seja ele escrito ou uma imagem, também é uma forma de diálogo entre alguém que deseja transmitir uma informação para outro alguém.
Podemos concluir que Linguagem Verbal é tudo que pode ser falado.

Clichê, uma forma de Linguagem Verbal

Você, com certeza, já ouviu, muitas e muitas vezes, as expressões abaixo:

"Minha vida é um livro aberto."
"Vivendo e aprendendo."

Pelo fato de serem expressões utilizadas em excesso, tornaram-se desgastadas. São os chamados clichês. O clichê é conhecido como "chavão" e "lugar-comum".
Como vício de linguagem, deve ser evitado. Procure sempre uma outra expressão ou frase para substituir o clichê que você utilizaria.

1. Alguns provérbios são considerados clichês porque são usados com tal frequência que acabam por expressar falta de inventividade do emissor da mensagem. Isto não significa que você não deva usar provérbios, mas evitar aqueles que já foram citados em excesso.

Exemplos de provérbios considerados clichês:

Clichês (provérbios)

Deus escreve certo por linhas tortas.
Em casa de ferreiro, espeto de pau.
Filho de peixe peixinho é.
Não cuspa no prato em que comeu.
Não cuspa para cima que cai na cara.
Quem ama o feio bonito lhe parece.
Quem vê cara não vê coração.


2. Mas não é só na linguagem popular que ocorrem clichês. Há pessoas que gostam de usar citações de frases alheias, mas o fazem erroneamente ao mencionar um autor que não proferiu a frase citada ou, pior, desconhecem a autoria da citação. Erram, também, ao mencionar a frase de forma diferente da original – isso tem ocorrido muito em mensagens transmitidas via Internet. Além disso, mesmo citadas corretamente, algumas frases já ficaram desgastadas com o tempo.

Atenção: você não deve deixar de usar citações, mas evitar aquelas que, de tanto serem utilizadas, perderam seu significado. E, quando fizer citações, faça-as corretamente e informe quem é seu autor.


Clichês (citações)

"Só sei que nada sei." (Sócrates)
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena." (Fernando Pessoa)
"Há algo de podre no reino da Dinamarca." (Shakespeare)
"Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia." (Shakespeare)
"Penso, logo existo." (Descartes)
"Ser ou não ser, eis a questão." (Shakespeare)

3. Na era da Informática, recebemos muitas curiosidades pela Internet. É comum os internautas recriarem a linguagem comum, já bastante conhecida, em outra mais engraçada e até crítica. Estes autores fazem, portanto, paródia de textos originais. Alguns ditados comuns foram transformados em outros textos interessantes.




Veja, agora, como Millôr Fernandes utiliza alguns provérbios - já transformados em clichês, de tanto serem usados - mudando o nível de linguagem coloquial para o técnico ou pelo sentido exato que vem no dicionário:





Chico Buarque de Holanda, na canção "Bom Conselho", faz também uma brincadeira com a linguagem dos provérbios bem conhecidos. Ele recria a linguagem proverbial em outra de cunho próprio. Assim, expressa sua visão crítica da realidade. Observe.






Para finalizar, é bom saber que os clichês não ocorrem só na linguagem verbal, mas também em outras linguagens. São situações recriadas à exaustão, como as abaixo que você vai reconhecer:
Nas novelas de televisão: Moça pobre, boa, honesta e trabalhadora apaixona-se por homem rico e poderoso cuja família não aprova a relação entre os dois. Gera-se uma situação de conflitos (pessoais, sociais, afetivos, financeiros) que culmina com um final feliz: a moça pobre e boa casa-se com o homem rico e poderoso contra a vontade da família má do moço. É uma situação-clichê usada à exaustão em roteiros românticos televisivos.
Na publicidade: Uma praia ou um campo com aspecto paradisíaco, muito claro. Uma moça e um moço com roupas leves e esvoaçantes; cada um vem de um lado correndo (em câmara lenta) até se encontrarem no meio do cenário. O moço enlaça e gira a moça. O resultado é transmitir uma sensação de bem-estar. É uma situação-clichê que serve de cenário para a propaganda de produtos de gêneros diversos.
Nos filmes ou séries televisivas: Rapaz franzino, de aspecto humilde, bom caráter, defensor da justiça social confronta-se com adversário de aspecto físico forte, avantajado, de índole maléfica e mau caráter. Em algum momento, os dois entram em conflito e o jovem com aspecto pouco saudável revela-se exímio lutador de artes marciais e inteligência acima da média. Vence o homem forte e grande, que revela-se pouco dotado de inteligência e faz mau uso da força bruta. A situação-clichê é que o mocinho justo é hábil sempre vence o malfeitor.

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